CANTINHO DO BICHO: Desidratação é ameaça à saúde dos felinos

A hidratação nos animais é um assunto que merece muita atenção, especialmente os gatos têm mais dificuldade para se hidratarem. De acordo com a veterinária Mayara Tóffolo Carter, especialista em Medicina Felina e Endocrinologia de cães e gatos, os felinos provavelmente tiveram origem no deserto e por conta dessa peculiaridade bebem pouca água e têm a urina bem concentrada. Porém, com a domesticação, a ingestão de água de forma espontânea é pequena para espécie.
Ela ressalta que é importante que os tutores dos animais criem formas de incentivar a hidratação de seus felinos.
“A água é o nutriente mais importante do organismo e dois terços do seu organismo são constituídos por água. A forma de estimular um gatinho na ingestão de água é através de fontes de água corrente, potes de boca larga (gatos não gostam de encostar os bigodes no pote) espalhados pela casa e, inclusive, fornecer alimentação úmida (sachê ou ração em lata) que, em geral, são constituídos de 70% de água”, frisa a veterinária.
A desidratação pode causar doenças renais nos felinos. A veterinária explica sobre a função do rim no corpo do animal e como ele age.

“O rim é um dos órgãos mais importantes do organismo. Sua principal função é a eliminação de substâncias tóxicas. Mas, além disso, desempenha importante papel na regulação de eletrólitos, excreção de medicamentos, manutenção do pH sanguíneo e de contrapartida também tem a função de produzir hormônios”, explica.

Dhoje Interior

E acrescenta que “a doença mais comum nos gatos, principalmente nos idosos, é a doença renal crônica. Mas além dela, podemos ter a doença renal aguda, presença de rins policísticos (que evoluem para doença renal), ou cálculos renais. E quando pensamos em trato urinário inferior, temos a presença de cistites bacterianas ou idiopáticas, urolitíase vesical (cálculos na bexiga) e até tumores”.
Mas como saber se seu gatinho pode estar com alguma doença renal? Veja quais são os sintomas e tratamento.
Sintomas: O sintoma mais comum da doença renal é aumento da ingestão de água e aumento na produção de urina, essa no caso, com coloração clara. É comum o tutor relatar que a caixinha de areia está ficando suja com mais frequência. Como o rim não está funcionando adequadamente, não há filtração da forma correta, então o paciente faz mais xixi e desidrata. Para compensar essa situação, o paciente começa a ingerir mais água, e isso é um ciclo. Além da desidratação, o pelo fica mais opaco e quebradiço, apresenta emagrecimento e pode parar de comer.
Tratamento: O tratamento deve ser realizado individualmente, já que há estágios da doença renal crônica. O paciente deve ser avaliado por um veterinário, realizar os exames necessários, estadiar a doença e assim, juntamente com o tutor, escolher o tratamento mais adequado. Mas aumentar a ingestão de água nessa fase é indispensável.
No próximo mês, na medicina veterinária o ‘Março Amarelo’ é de conscientização, com foco nas doenças renais em cães e gatos.
“As doenças renais estão entre as principais causas de óbito de cães e gatos acima de sete anos e podem acometer mais 60% da população de pets idosos. É uma doença sem cura, mas o diagnóstico precoce e manejo adequada pode proporcionar melhor qualidade de vida para o paciente”, finaliza Mayara.

Por – Isabela MARTINS