Candidato ao Senado, Mário Covas Neto fala sobre sua saída do PSDB, avalia os atuais senadores e comenta sobre suas propostas

Candidato ao Senado, Mario Covas Neto falou sobre suas propostas e apoios para as eleições deste ano

Atual vereador de São Paulo, Mario Covas Neto (Podemos), filho do ex-governador Mario Covas, veio a Rio Preto nesta sexta-feira (15) para divulgar sua candidatura ao Senado da República para as próximas eleições, que acontecerão em outubro deste ano.

Entre os assuntos, Mario Covas Neto declarou seu apoio para Márcio França (PSB), ao Governo do Estado, e falou sobre suas propostas, a candidatura de Álvaro Dias para a presidência, a saída do PSDB e a disputa com candidatos que saíram do meio empresarial.

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Jornal DHoje – Qual o motivo da vinda para Rio Preto?

Mario Covas Neto – O motivo da visita é sair um pouco do espaço que eu atuo. Eu sou vereador em São Paulo. Então, minha atuação é muito dentro do município de São Paulo e sair me dá uma oportunidade de conhecer uma realidade diferente do convívio diário. Trocar experiências, conversar com as pessoas e conhecer coisas novas. Portanto, faz parte do processo todo, não só de campanha eleitoral, mas de embasar a candidatura fazendo essa troca de experiência.

Jornal DHoje – Quais serão suas propostas para o Senado?

Mario Covas Neto – A primeira coisa é ter a consciência que o senador tem que responder pelo Estado e ser representante do Estado, coisa que se perdeu ao longo do tempo, que acaba o representante do Senado fazendo um pouco de política partidária. Acho que é fundamental que o Estado, já que são apenas três senadores por Estado, ter uma representação que coloque o Estado de São Paulo em primeiro lugar, independentemente da relação partidária entre o Governador e o Senador. É preciso que São Paulo tenha um pouco mais de reconhecimento do Governo Federal. Outro ponto são os suplentes dos senadores serem indicados pela própria chapa. Sem desmerecer os suplentes, dizendo que eles não eram capazes, mas falta um pouco de representação, de legitimidade. Acho que uma das propostas seria você ter como suplente o segundo colocado na campanha. Certamente esse segundo colocado é seu adversário, de outro partido. Então, se você sair, você abrirá espaço para o seu adversário. E aí você faz com que a pessoa pense 10 vezes antes de sair. Acho que podemos contribuir muito para as reformas que são absolutamente necessárias, de todos os tipos, política, previdenciária, do estado e acho que vou contribuir e quero contribuir para isso.

Jornal DHoje – Quem é seu candidato a presidência?

Mario Covas Neto – Álvaro Dias, candidato do Podemos a presidência. Alguém que tem 42 anos de vida pública, absolutamente limpa e alguém que tem uma experiência de ter sido deputado estadual, federal, governador, senador por três mandatos.

Jornal DHoje – Assim como Álvaro Dias, você também era do PSDB e ambos migraram para o Podemos. Você acha que isso pode afetar sua candidatura ou é estratégica, faz parte da sua campanha?

Mario Covas Neto – Conversei com vários partidos para decidir que caminho eu iria tomar. O Podemos me pareceu uma opção muito interessante, primeiro porque o Podemos é um partido, apesar de ser oriundo do PTN e é um partido que está muito novo, ele está sendo montado. Então, ele não está ainda com os vícios e com os problemas que os grandes partidos já têm consolidados. Então, dá para gente, entrando no partido, tentar fazer com que sua atividade partidária seja próximo do que você acredita que seja bom. Segundo que ele é um partido que cresceu muito nos últimos tempos, simplesmente pela perspectiva da esperança, pelo projeto futuro. Então, mesmo sendo um partido pequeno, ele tem candidato próprio a presidência da República, três governadores pelo país, candidato a senador, enfim, ele pretende ser um partido grande.

Jornal DHoje – O projeto ao Senado não cabia dentro do PSDB?

Mario Covas Neto – Cabia. Eu era candidato a senador, ou pré-candidato, ou pretendente a senador dentro do PSDB, já fazia isso internamente. E não foi isso que motivou minha saída. Minha saída do PSDB se deu porque acho que o PSDB esgotou a capacidade de representação. O PSDB mudou sua trajetória daquilo que era na sua fundação, para o que se tornou.

Jornal DHoje – O que o senhor acha dos candidatos que não vem da área política, que vem do meio empresarial?

Mario Covas Neto – Não tenho nenhum problema em relação a isso. Mas da mesma forma que não tenho preconceito com quem vem de fora, eu não tenho preconceito com quem está, ou com quem olha a política, ou com que se auto intitula político, eu não vejo nenhum problema com isso. Não acho que estar fora da política e ingressar necessariamente seja ruim, mas não quer dizer que necessariamente é bom. Até porque a visão é diferente. Quando você está no exercício público você tem que ter a noção que em determinados momentos você tem que recuar. Recentemente tivemos os caminhoneiros, que o governo federal foi obrigado a recuar. Então, tem que ter essa sensibilidade. Quem está numa empresa privada age de acordo com a sua vontade. É um olhar diferente, nem sempre o cara que vem da iniciativa privada está preparado para isso.

Jornal DHoje – Qual avaliação que o senhor faz sobre os atuais senadores do Estado?

Mario Covas Neto – Nós temos três senadores no exercício do mandato. Os três foram ministros. Nos três casos assumiu o suplente. Você sabe quem são os suplentes? Então, sem desmerecer os suplentes. Acho que tanto o Aloísio, quanto o Serra e a Marta são pessoas dignas, que foram eleitas pelo povo. Não estou para criticá-los, pode ter tido uma atuação mais ou menos, mas acho que nenhum deles atuou pelo Estado, com a consciência de que eram os representantes do Estado. Nenhum deles.

Jornal DHoje – A estigma das pessoas em não votar em candidatos ou partidos menos conhecidos pode atrapalhar sua campanha?

Mario Covas Neto – O processo eleitoral beneficia quem já está, ou quem é mais conhecido. E ser conhecido é alguém que tem a oportunidade de estar no meio de comunicação, ou tem outra atuação que lhe dê uma margem que proporcione ele ter essa vantagem. Mas quem está surgindo e vindo leva uma baita desvantagem, a competição é desleal. Um cara que não tem o sobrenome Covas, como eu tenho, por exemplo, leva uma desvantagem em relação a mim. Mas isso é desigual, a lei está errada e tem que proporcionar igualdade de condições.

Jornal DHoje – A candidatura de senador causa muita visibilidade, depois de uma candidatura de senador, bem sucedida ou não, pretende algo a mais que o atual cargo de vereador?

Mario Covas Neto – Não sei. Quando você é eleito você representa uma parcela da população e as pessoas esperam que você seja capaz de representá-las bem. Então, acho que não adianta fazer as coisas pensando no futuro. Quem pensa no futuro é o executivo visando a reeleição, por isso a reeleição é uma porcaria. O cara fica pensando tanto na reeleição que se esquece do presente.

Por Marcelo Schaffauser