Câncer renal: silencioso e letal

De acordo com informações do Instituto Nacional de Câncer (INCA) em 2018 são esperados 600 mil novos casos de câncer no Brasil. Os tipos menos incidentes corresponderão juntos a cerca de 41 mil casos, sendo que o câncer de rim abrange 3% de todos os tipos de câncer no mundo. Este tipo geralmente possui sintomas silenciosos, que contribuem para o diagnóstico tardio, elevando as taxas de mortalidade deste câncer.

O câncer de rim, ou Carcinoma de Células Renais (CCR), ocorre a partir da transformação das células dos túbulos que formam os néfrons (estruturas microscópicas responsáveis pela filtração e formação da urina dentro dos rins), que passam a se multiplicar de forma anormal, dando origem ao tumor. O câncer renal afetará um em cada 52 homens durante suas vidas, sendo que mais de 90% dos casos da doença evoluem para metástase.

O urologista do Hospital de Base, José Carlos Mesquita, afirma que na maioria das vezes o diagnóstico da doença se dá de forma casual, quando o paciente vai fazer uma ultrassonografia e acaba descobrindo o tumor. “Existe a tríade clássica do tumor renal, que é o tumor, o sangue na urina (que é o principal sintoma) e dor. Só que a tríade clássica só é encontrada em 10% dos doentes. Hoje, infelizmente, a gente não faz o diagnóstico baseado nesses fatores e quando faz, em geral, os doentes já não têm muito recurso terapêutico”, afirmou.

Existem fatores que são considerados de risco para o câncer renal, dentre eles: idade avançada, tabagismo, obesidade e o histórico de doença renal (como cálculo ou cisto). Após o diagnóstico da doença, geralmente o tratamento mais indicado é a cirurgia. “O tumor renal é um desafio para nós, porque é um dos tumores mais agressivos, do ponto de visto urológico, e não responde bem a tratamento que não seja cirúrgico”.

O médico explica que o ideal é fazer o diagnóstico na fase inicial, pois quanto maior o diâmetro do tumor, mais agressiva será a doença. “Se você descobre tumores de diâmetros pequenos, esses tumores têm chances de cura maiores do que os tumores grandes. Outra característica ruim do tumor renal é que ele pode dar metástase até 20 anos depois do tratamento. Em oncologia geral após dizer que o doente está curado, o acompanhamento dura uma média de cinco anos e isso não vale, necessariamente, para tumor renal”, concluiu.

 

Por Priscila CARVALHO

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