Campanha da Fraternidade pede união e combate à violência

 

Coordenador da campanha em Rio Preto, João Adriano diz que tema escolhido em 2016 não poderia ser mais atual e que o objetivo é tratar à violência de forma geral, além de buscar caminhos em vários aspectos para combatê-la

Escolhido em 2016, o tema da Campanha da Fraternidade deste ano “Fraternidade e Superação da Violência”, lançada no último dia 14 deste mês, quarta-feira de cinzas, não poderia ser mais atual na visão do coordenador da campanha em Rio Preto, João Adriano.

“A escolha do tema foi feita pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em 2016, mas coincidentemente está em pauta neste momento. Temos vivido toda a violência no país, como no Rio de Janeiro, no Nordeste. Então, é um resgate de outros temas que já foram tratados pela campanha, como a campanha contra a violência contra a mulher, ou mesmo sobre segurança pública”, explicou o coordenador.

Com a intenção de discutir e buscar caminhos, João Adriano diz que o tema é de importância social. “A campanha trabalha com o tema e com o lema, que é uma passagem onde Jesus diz “Vós sois todos irmãos”, que quer dizer para olharmos para o outro como a presença de um semelhante, um irmão. Então, esse resgate é para trabalhar a esperança, buscar caminhos em vários aspectos. Como a violência contra a mulher, que na nossa região é tão presente”, afirma.
Segundo dados do Mapa da Violência, no ano passado foram notificados 1.500 casos de violência doméstica contra a mulher, só na cidade de Rio Preto. Já os dados nacionais mostram que o Brasil tem números maiores de mortes do que em relação aos países que estão em guerra. De 2011 a 2015, 280 mil pessoas foram vítimas de armas de fogo no país, enquanto a guerra na Síria matou 250 mil pessoas no mesmo período.

“Em relação aos homicídios somos o maior do mundo. Sendo 71% dos casos contra negros e 48% das mortes entre jovens de 15 a 29 anos. Nossa população carcerária é a terceira do mundo com, aproximadamente, 680 mil presos. Então, a partir disso procuramos agregar aos trabalhos feitos pelas igrejas, como na Fundação Casa, Centro de Detenção Provisória, Centro de Progressão Penitenciária e Centro de Ressocialização Feminino, realizados pela Pastoral do Menor e Pastoral Carcerária, respectivamente, que fazem encontros semanais com os presos para tratar tanto a questão espiritual como no aconselhamento. Com essas campanhas, as igrejas preenchem um vazio da presença do Estado em relação a políticas públicas”, finalizou João Adriano.

Casos de homicídios também são os maiores em Rio Preto

Tema da campanha da Fraternidade, a violência no país, de acordo com os dados do Mapa da Violência, matou 280 mil pessoas entre 2011 e 2015, vítimas de arma de fogo. Em Rio Preto, os casos de homicídios também são os maiores, segundo o Delegado Responsável Geral da Delegacia de Investigações Gerais ( DIG, Fernando Augusto Nunes Tedde.
“Os casos de homicídios são os mais graves, seguido dos casos de latrocínios, morte decorrente do roubo. Não existe uma regra, a maioria está relacionada a outros crimes, como tráfico de drogas, ou motivacionais”, explica o delegado, que afirma que, mesmo diante desses números, o índice de crimes na cidade é baixo.
“Em Rio Preto, o índice de crimes é considerado baixo em relação a cidades do mesmo porte. Apesar das ocorrências, esses índices são baixos. De todos os casos considerados graves, a polícia conseguiu resolver todas elas, o que representa uma qualidade de vida. Isso traz uma sensação de segurança para a comunidade”, finaliza.

Por Marcelo Schaffauser

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