Caminhada pela paz mobiliza população em Rio Preto

Na manhã de ontem, de acordo com a prefeitura, cerca de 800 pessoas participaram da caminhada pela paz. Com placas, bexigas e rosas brancas nas mãos rio-pretenses iniciaram a caminhada em alusão a tragédia que culminou com dois agentes baleados e com a morte do adolescente Pedro Henrique de Oliveira, 17 anos, vítima de bala perdida durante um assalto em Rio Preto. Promovida por Guardas Civis Municipais, a passeata contou com a presença do prefeito Edinho Araújo, autoridades locais, comunidade, empresários e funcionários do comércio local, familiares e amigos das vítimas do assalto à joalheria.
O silêncio, a distribuição de rosas brancas, a comoção das pessoas e um violoncelista marcaram a caminhada pela paz. Em todo o percurso pela área central da cidade, clientes, empresários e funcionários do comércio saíram até a porta dos estabelecimentos para presenciar o movimento, que iniciou na Praça Dom José Marcondes. Na rua general Glicério, um músico que tocava violoncelo emocionou as pessoas que participavam da ação. Emocionados, os pais do adolescente Pedro Henrique de Oliveira estavam presentes e caminharam amparados por amigos e familiares. A equipe de reportagem do jornal DHoje tentou entrevistar os pais e familiares, mas comovidos, eles preferiram não conceder entrevistas.
Com bexigas brancas e de mão dadas, o advogado do Sindicato dos Empregados do Comércio (Sincomerciários) Felipe Carusi juntamente com a sua esposa a advogada Ana Maria Carusi participaram da passeata. “Quando acontece algo que gera violência, todos nós, de certa forma, somos atingidos. Hoje vejo que são corações humanos que se reuniram para a fraternidade e paz”, comenta Ana.
“A caminhada uniu as pessoas no amor e na luta pela paz e o direito a vida”, diz a atendente Eva de Souza Nascimento Espósito que participou do movimento.
Segundo o representante da Associação da Guarda Civil, Alexandre Montenegro, a caminhada cumpriu com o seu papel: a busca da Paz. “Estamos de cabeça erguida contra a criminalidade. A guarda tem muita demanda, mas precisamos de reestruturação, infraestrutura e treinamento”, avalia.
O prefeito Edinho Araújo disse que a minoria fez um ato de violência, mas o que realmente prevalece é o sentimento de quase a totalidade dos rio-pretenses, que é de paz, amor e solidariedade.
Com relação o armamento dos agentes da Guarda Civil Municipal, o prefeito disse que está aberto a discussões, apesar de ser contra o armamento dos agentes. “Sou a favor do treinamento contínuo dos agentes”.
No estabelecimento comercial onde houve o assalto, as funcionárias pararam as suas atividades por alguns instantes para presenciar a ação. “Não pudemos percorrer as ruas, mas fizemos um minuto de silêncio e assistimos as homenagens finais. Nós da joalheria estamos sensibilizados com esta ação que nos trouxe conforto e paz neste sábado”, disse a vendedora Cleide Marques Godoy.
A caminhada terminou na Siqueira Campos, exatamente onde o crime ocorreu. Em frente ao local, a esposa do agente da Guarda Civil Municipal Cleyton José da Silva Gomes, entregou uma flor, abraçou fortemente e fez uma homenagem a estudante do curso técnico em enfermagem Ana Carolina da Silva por ter prestados os primeiros socorros ao seu marido. “Eu estava fazendo compras quando escutei os disparos, assim que cessou os tiros, desci a rua e encontrei o agente ferido. É muito gratificante contribuir para salvar uma vida. Ainda sou estudante, mas Deus me colocou aqui e me deu suporte para socorrer o Clayton”, relata.
Em seguida, o representante da Associação da Guarda Civil, Alexandre Montenegro disse que a associação não vai recuar frente à criminalidade e que este ato mostra a paz e a força. “Os balões significam lágrimas e orações que chegam ao céu”, disse.
O movimento terminou com aplausos e a soltura dos balões. Integrantes da Guarda Civil Municipal seguram bexigas metálicas com as letras “GCM PAZ”, embalados pelo instrumental no violão que marcou o fim da caminhada pela paz.

Por – Suélen Petek – Redação Jornal DHoje Interior

 

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