Cães também são vítimas de DSTs

Foto Claudio Lahos

As doenças sexualmente transmissíveis são muito discutidas entre as pessoas. Fala-se de educação sexual e de prevenção. No entanto, o que é pouco falado e muita gente não sabe é que não só os seres humanos podem contrair uma DST, os cães também sofrem com esse tipo de doença.

As DSTs podem causar sofrimento, reduzir a qualidade de vida do pet e ainda serem fatais, por conta disso os donos precisam ficar atentos a seus animais. A médica veterinária, Janaína Barletti Belisário, explica que existem duas doenças venéreas em cães. O tumor de Sticker ou TVT (Tumor Venéreo Transmissível), causado por um vírus, e a brucelose que, no caso dos cães, são acometidos pela bactéria Brucella Canis.

TVT

Como explica a veterinárias, o TVT acontece quando um cachorro tem contato direto com outro contaminado. “Pode ocorrer pelo contato direto de um animal doente com um sadio, principalmente pelo contato sexual, onde irá ocorrer a formação no órgão genital tanto do macho como das fêmeas. Porém, pelo fato dos cães terem o hábito de se cheirarem, o vírus pode se instalar no focinho/e ou boca”, comenta Belisário.

Os sintomas do TVT podem ser facilmente percebidos pelos donos em casa. Os cães acabam desenvolvendo nódulos e tumores na região genital e em mucosas, como na boca e nas narinas. Os tumores, além de sangrarem com facilidade, doem e pode fazer com que o animal deixe de se alimentar e/ou urinar. A doença tem tratamento, que pode chegar a 90% de chance de cura. Para remover o tumor, o cão é submetido a uma cirurgia. Além disso, o animal precisa passar por um período de quimioterapia, que costuma causar efeitos colaterais nos cães, como perda de pelo, anemia, febre e problemas gastrointestinais.

Brucelose

A Bucelose é mais difícil de ocorrer entre os animais. Por meio dela, os cães são acometidos pela bactéria Brucella Canis. De acordo com a veterinária, ela pode ser transmitida por meio da cópula, mas as formas mais comuns são oronasias (por meio da boca ou nariz) e conjuntivas (membrana mucosa presente nos olhos). A bactéria penetra em qualquer mucosa do animal, como ânus e boca, causando sintomas difíceis de serem percebidos. Nas fêmeas, a doença causa inflamação uterina e aborto.

Nos machos, há inflamação do saco escrotal e esterilidade. “As mães podem transmitir para os filhotes no momento do nascimento. Machos transmitem através do sêmen e urina. Animais castrados ou sexualmente ativos podem se contaminar”, explica Belisário O tratamento recomendada é a castração. No entanto, se a contaminação continuar acontecendo, mesmo após a retirada dos órgãos reprodutivos. Nesses casos, alguns veterinários indicam o sacrifício do animal.

 

Prevenção

De acordo com a veterinária, a melhor forma de prevenir os cães das DSTs, é evitando o contato do animal com os agentes causadores das doenças. “Se for colocar o animalzinho para cruzar, é bom realizar exames tanto na fêmea quanto no macho para assegurar que estão saudáveis. Durante o cio, evitar que a fêmea tenha contato com machos desconhecidos. Nos passeios evitar que o animalzinho lamba ou cheire as áreas genitais de cães desconhecidos.

Castração também é importante”, comenta a doutora Se o cão estiver doente em casa, é recomentado que ele seja isolado dos demais durante o tratamento e o período de contaminação da doença. A reaproximação de uma animal sadio só deve ser feita quando o veterinário sinalizar que é seguro.

 

Por Leandro BRITO

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