Brechó solidário garante amparo da Capacc a pacientes de todo o país

“Eu aprendi a viver melhor depois do câncer. Comecei a ver o mundo de outra maneira, a dar valor às pequenas coisas, a procurar ajudar as pessoas em situação de rua”, reflete Adonias Francisco dos Santos, 39.

Após 12 longos anos entre idas e vindas de tratamento do câncer, dois transplantes de medula óssea, ele sorri ao dizer que vence esta batalha todos os dias e que hoje está curado.

Desde 2018, Adonias é recebido na Casa de Amparo ao Paciente Adulto Carente com Câncer (Capacc), entidade sem fins lucrativos que abriga pessoas de todo país que realizam quimioterapia, radioterapia e transplante de medula, e não tem condições financeiras de arcar com os custos do tratamento em Rio Preto.

A casa de apoio vem escrevendo uma história de amor e solidariedade há 21 anos na cidade. Com capacidade para abrigar 58 pessoas, hoje a ONG hospeda 40 pacientes oncológicos do país todo. A força para realização deste trabalho vem da vontade de fazer o bem ao próximo, seja pelo voluntariado ou doação. “Pessoal fala que não existem anjos de verdade, eu digo que conheço vários aqui”, agradece Adonias.

Anjos como dona Irma Brancato De Lucca, 77, assistente social que desde o início da ONG é voluntária. “A gente faz tudo com muito carinho, é um trabalho maravilhoso. Como não temos ajuda governamental, aqui é tudo na base da solidariedade”, ela diz.

Hoje, Irma trabalha na organização do brechó de roupas, calçados, eletrodomésticos e no bazar de artesanato da Capacc. “Temos peças boas e baratas, então conseguimos um bom retorno”, frisa Irma, que revela que esta ação consegue ajudar nas despesas, embora sempre precise de mais recursos.

De acordo com a voluntária, de janeiro a agosto deste ano foi possível arrecadar 100 mil com a venda destes artigos, dinheiro utilizado para manutenção diária do local. O brechó funciona às quartas e sábados, no período da tarde, na sede do Capacc, no bairro Jardim Francisco Fernandes. O bazar de artesanatos começará em novembro.

Após anos em tratamento, Adonias diz ter aprendido a confiar na providência divina e que sua vinda para Rio Preto não foi por acaso, “Em 2016, na minha 1ª cirurgia de transplante eu falei ‘Senhor seja feita sua vontade’ e desde então não tirei isto da cabeça”, comenta.
Hoje, após a remissão total da doença, ele agradece por ter conhecido a Capacc e garante que levará o carinho e a solidariedade recebidos por toda sua vida.

Por Ana Eliza BARREIRO

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