Brasileiros ignoram o ABC

Possuir a capacidade de entender e ser entendido por meio da escrita pode até parecer simples, coisa cotidiana. Mas é uma realidade bem distante para pelo menos 38 milhões de pessoas, que corresponde a 29% da população brasileira considerada analfabeta funcional, de acordo com pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, desenvolvida pela ONG Ação Educativa e pelo Instituto Paulo Montenegro.

Apesar de o Brasil ter registrado 13,7 milhões de pessoas desempregados só no primeiro trimestre deste ano, segundo o IBGE, os recrutadores têm encontrado dificuldade na hora de selecionar novos profissionais por conta da falta de capacidade dos candidatos de responder a um questionário simples, produzir um texto ou até mesmo preencher fichas com dados pessoais.

Situação que tem sido enfrentada pela gerente de RH Jucila Borduqui que atua na contratação de profissionais ligados principalmente à área da saúde que, na maioria das vezes, possuem graduação superior.

“Muitas vezes eu já descarto o currículo assim que o recebo por e-mail, por exemplo. É exorbitante o número de erros de escrita, concordância e pontuação. Tem ainda muitas situações de candidatos que entregam testes em branco ou com respostas sem sentido”. Jucila, que já está na área há 16 anos, comenta que quando iniciou a vida profissional, atuava na contratação de profissionais para indústria que, na maioria dos casos, não possuíam formação superior. “E eles conseguiam formular textos e escreviam melhor que os candidatos com graduação superior de hoje em dia. Tenho tido dificuldade nas contratações e isso tem me preocupado”.

O chefe do setor de triagem e encaminhamento da Secretaria Municipal do Trabalho e Emprego Leandro Louzada Souza diz que nota que os candidatos para as vagas disponibilizadas no Balcão de Empregos da Prefeitura não conseguem formar e concluir uma ideia.

“Eu percebo uma dificuldade grande no raciocínio, na hora de formular uma resposta a uma pergunta, por exemplo. Tenho a sensação que falta leitura. Os candidatos não conseguem interpretar os textos”.

Leandro afirma, ainda, que pra encaminhar ao menos dez candidatos que estão pleiteando uma vaga para a segunda etapa da seleção, existe a necessidade de entrevistar pelo menos trinta candidatos.

Ele acredita que a falta de compatibilidade com a área escolhida pelos profissionais é causa de frustração. “Eu sempre oriento que antes de fazer uma graduação, veja no que tem facilidade, do que gosta e quais as habilidades. Porque se não se tornam profissionais perdidos”, disse.

Conteúdo Especial: Thais COVRE

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