Baixas temperaturas aumentam riscos de infarto e derrame em até 30%

Cardiômetro mostra números de mortes por doenças cardiovasculares no Brasil

Recentemente uma pesquisa da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein apontou que o número de internações por insuficiência cardíaca e infarto aumenta cerca de 30% no período mais frio do ano. A temperatura mais baixa somada a pouca umidade e alta poluição colaboram para uma maior incidência de doenças respiratórias que aumentam o risco cardiovascular.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) tem em seu site um ‘cardiômetro’ que mostra o número de mortes por doenças cardiovasculares. Para se ter uma ideia, somente nesta quinta-feira (4), até o fechamento desta edição quase mil pessoas foram vítimas de ataques cardíacos ocasionados por algum tipo de problema.

No mês, pouco mais de quatro mil pessoas e somente nos sete primeiros meses (até 4/7) mais de 200 mil mortes foram registradas pelo termômetro. Segundo a SBC morrem, no Brasil, quase 400 mil pessoas por ano.

A meteorologia mostra que neste final de semana, os termômetros podem oscilar (nas mínimas) entre três e dez graus celsius.

Com isso, o DHoje, conversou com o médico cardiologista Maurício Machado, do Instituto Pró Cardíaco Rio Preto, para tentar entender melhor como funcionam os cuidados nesse período mais frio.

“A queda na temperatura ambiente e umidade do ar requerem cuidados especiais para o coração. No inverno, as taxas de infarto do miocárdio e de acidente vascular encefálico (derrame cerebral) podem aumentar em 30% e 20%, respectivamente. Os riscos são maiores para pessoas que já apresentam alguma predisposição e para aquelas que sofrem de problemas cardíacos”, diz o especialista.

Machado ainda ressalta que o frio eleva a contração dos vãos sanguíneos podendo acarretar oscilações da pressão arterial e sobrecarga do sistema circulatório. “Além disso, o gasto energético do organismo se eleva no intuito de manter a temperatura corporal estável, o que aumenta o apetite para alimentos mais calóricos e gordurosos, um risco para o ganho de peso. O uso de bebidas alcoólicas nesse período também pode gerar uma falsa sensação de “aquecimento”, porém o álcool em quantidades maiores pode contrair os vasos e elevar a pressão arterial e frequência cardíaca e em ambientes abertos pode diminuir a percepção ao frio, podendo acarretar hipotermia”, destaca o médico que recomenda as atividades físicas como aliadas ao combate das doenças cardiovasculares.

DICAS DO ESPECIALISTA

Dentre as recomendações, o especialista Mauricio Machado aponta para detalhes que podem ajudar, como evitar praticar exercícios em locais abertos quando as temperaturas estiverem muito baixas, principalmente abaixo de 15ºC. Usar roupas adequadas mantendo mãos, pés e pescoço aquecidos. “Claro que, fazer o aquecimento de forma adequada, alongamento muscular e não retirar os agasalhos no tempo frio contribuem ainda mais para evitar os problemas”, frisa.

Para finalizar, Mauricio Machado também falou sobre a alimentação que ajuda na hora da prevenção aos problemas cardiovasculares. “De maneira geral, uma alimentação rica em frutas, verduras e vegetais frescos ingeridos pelo menos cinco vezes por semana reduz o risco de infarto do miocárdio em até 14%. O azeite de oliva extra virgem, os óleos vegetais (como o de girassol), as castanhas (caju, Pará, amêndoas, nozes) e os peixes ricos em ômega-3 como sardinha, bacalhau e salmão são importantes aliados do coração, facilitando a produção do HDL, o bom colesterol”, finaliza o cardiologista.

Por Ygor Andrade

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIOS