Autoconhecimento: benefícios transformadores na vida das mulheres

Independentes, sacerdotisas, poderosas, companheiras, amigas, submissas, donas de casa. Nas últimas décadas, a imagem da mulher vem sendo construída na sociedade sob várias visões. Hoje elas lutam por seus ideais, sempre pensando no que é melhor para elas mesmas. A figura de fragilidade e dependência não é mais o que ronda. Agora, a força feminina ganha espaço e, para isso, elas contam uma palavra-chave: autoconhecimento. A influenciadora Carlota Menezes é uma dessas mulheres que migraram da vida pacata, monótona, para um desabrochar. Com mais de 50 mil seguidores, sua mudança e a percepção de que poderia ajudar outras mulheres a se autoconhecerem veio após algumas postagens do dia a dia nas redes sociais.

“Postava um armário bagunçado e acabava atrelando aquela bagunça a algo que não estava bom dentro de mim. Todas as minhas comédias tinham um fundo de verdade, uma análise a ser feita”, conta ela.

Desenvolver o autoconhecimento é um processo. Infelizmente, muitas mulheres acabam por terem conflitos internos pela falta de equilíbrio em suas vidas. E não é porque elas querem, é porque não sabem como se reconhecer como um ser único, com vontades, sonhos e desejos, tudo o que lhes foi tirado a centenas de anos atrás. Podemos dizer que trata­sse de uma reconexão com um princípio que não é novo, mas que caiu em desuso. As mulheres sempre foram encarregadas das tarefas relacionadas à reprodução da vida. São elas que, por muito tempo, desempenharam singularmente atividades que exigiam maior sensibilidade e afetividade no ambiente familiar, por exemplo: plantar, colher, cozinhar, tecer e cuidar das crianças. Segundo Carlota, por serem detentoras deste conhecimento único sobre o viver, as mulheres são cruciais na contemporaneidade, porque estamos frente a um futuro que precisa aprender a se reconectar com a vida.

Dhoje Interior

“Depois que me descobri passei a ajudar outras mulheres a se valorizarem. Hoje o que as pessoas mais buscam é saber sobre si. Passei a desenvolver um trabalho com um grupo de 120 mulheres. É preciso que a mulher entenda que antes de nos tornarmos o que somos hoje, passamos por momentos de construção, de fases. E nestas fases a mulher esquece quem realmente ela é”, disse a influencer.

Mariane Simas é vendedora de roupas femininas e relata que após buscar entender quem ela realmente era ficou mais fácil lidar com as diferenças do próximo. “É assim com os sentimentos, com as emoções, com tudo o que o faz parte da vida. É olhar para si mesmo e ver os próprios valores, os pontos fortes, os pontos fracos, os medos, as alegrias é muito importante para o crescimento pessoal. Trabalhar esse conhecimento interno pode parecer difícil, mas não é impossível”. No Dia Internacional da Mulher, podemos citar um trecho da música Pagu, de Rita Lee que já dizia: “nem toda feiticeira é corcunda”. A imagem criada da velha e reclusa bruxa má ficou no passado. Hoje, as ‘bruxas contemporâneas’ estão por ai, trabalhando, cuidando dos filhos, enquanto resgatam a cumplicidade entre si.

As mulheres já fizeram — e fazem — a diferença nas artes, nos esportes, na ciência, garantindo também a continuidade da espécie humana. Atentas aos seus ciclos, em sintonia com a natureza, as mulheres encontram o poder pessoal para ocuparem seus espaços e serem completamente livres. Em paralelo ao feminismo — movimento que luta pela igualdade entre homens e mulheres —, todas buscam o autoconhecimento e o empoderamento, com o viés do desenvolvimento espiritual. Questionada sobre o que as mulheres deveriam comemorar neste domingo, no Dia Internacional da Mulher, Mariane afirma que está no caminho. “Estou longe de ser a mulher que gostaria de ser, mas estou cada vez mais próxima de mim e acho que é isso que importa. Quando a gente se aproxima de si mesma, se ama e se aceita, é uma coisa que vai para o mundo. A gente começa a aceitar e entender mais as pessoas”, finalizou. Já Carlota termina convidando as mulheres para mudarem em 2020 com novas expectativas, com novos sonhos, desenvolvendo a confiança em si mesma, através de técnicas de Autoconhecimento. “Criamos o Day Spa de Autoconhecimento. Nada de emagrecimento como muitas podem estar pensando. Trabalhamos seis movimentos aplicados no método 3Cs: Conhecer a si mesma, Confiar em si própria e ter Coragem para mudar, lhe abrirá novos caminhos e novas possibilidades! Vamos virar essa década preparadas para ganhar o mundo? Sim, você pode! Claro, nós podemos!”, completou.

Por Jaqueline BARROS

ABANDONOU MEDICINA:

Aos 31, empresária é dona de cinco lojas

Não é de hoje que as mulheres lutam pelos seus direitos e conquistam cada vez mais seu espaço na sociedade. Hoje, dia 8, é comemorado o Dia Internacional da Mulher. A data não foi criada apenas para que as mulheres ganhem flores e chocolates, mas sim para que sejam reconhecidas como símbolo de força e determinação. Driele Galindo Cassilhas é um grande exemplo de mulher forte e determinada. Nascida e criada na cidade de Olímpia, aos 17 anos de idade decidiu estudar medicina na Bolívia, lá cursou apenas dois anos da faculdade e decidiu voltar para o Brasil onde ficou dois anos parada. “Eu queria trabalhar com a parte de comida, restaurante e quando fui atrás pra ver nada estava dando certo. Até que uma moça me ofereceu uma loja de roupas pra eu comprar e fiquei interessada. Então fui estudar sobre isso”, explica. Neste momento ela começou a estudar sobre empreendedorismo no Sebrae, fez cursos online e foi aí que decidiu o que queria para sua vida profissional. “Eu sempre me vesti diferente, sempre gostei de moda, era uma paixão, aí eu falei, é isso mesmo que eu quero”. Sua primeira loja na cidade de Olímpia foi um sucesso. “Lembro até hoje. Inaugurei no dia 8 de janeiro de 2010, deu super certo, no primeiro mês vendi bastante e cada mês eu ia vendendo mais”, frisa Driele. Após cinco anos, ela mudou o perfil de sua loja, começou a fazer vestidos de festas. “Fiz um curso de moda em Rio Preto, costura, modelagem, então eu aprendi mais ainda. Fui me especializando e comecei aprender mais sobre roupa. E foi nesse momento que comecei a abrir mais lojas. Então voltei a vender ‘modinha’ e deu super certo, como eu já tinha o conhecimento sobre as peças e roupas aí foi a hora que o sucesso surgiu”, explica. Driele se tornou uma empresária de sucesso. Atualmente com 31 anos de idade, possui cinco lojas, uma em Olímpia, Severínia, Rio Preto, Barretos e neste ano inaugurou uma loja em Bebedouro. Além de empresária Driele é mãe do Benjamin Cassilhas Zioli, esposa e filha. Sua rotina é puxada, o trabalho é de segunda a segunda, mas sempre busca se dedicar ao máximo seja no trabalho, em casa ou com a família.

“Eu trabalho todos os dias da semana, e faz seis meses que nós descobrimos que meu filho é autista. Ele é especial e meu trabalho é dobrado, porque a gente vai em terapia, faz o tratamento. Com ele tem que ter mais dedicação. Tenho que me desdobrar em cinco pra loja, para meu filho, para minha família. Então assim é bem difícil, mas tudo que a gente faz com amor, carinho e dedicação dá certo”, salienta Driele.

A independência profissional exige bastante de seu tempo e dedicação. “Tem gente que fala assim, vida de empresária é fácil você pode fazer a hora que você quer, mas não é assim. Às 5h30 eu já estou de pé e, às vezes, fico até às 22h trabalhando, passo a noite viajando, porque viajo toda semana para São Paulo”. Driele é casada com Marco Aurélio Zioli há quatro anos. Ele e a mãe da empresária atualmente trabalham junto com ela. O seu marido era soldador e agora trabalha com ela como sócio e sua mãe era cabeleireira e também se tornou sua sócia. “Acho que hoje a mulher tem muito mais recurso, perfil, oportunidades, porque antigamente há 30 anos uma mulher ser empreendedora era difícil. E hoje está muito mais fácil. As mulheres têm que lutar pelos seus direitos, têm que ir atrás, trabalhar, porque eu falo o trabalho dignifica muito a pessoa, traz algo bom para você, uma realização. E eu tenho certeza que as mulheres hoje em dia têm muito mais espaço no mercado de trabalho para empreender, e cada vez mais vejo muitas mulheres empreendendo e isso me deixa muito orgulhosa”. E acrescenta que “há dez anos, quando comecei, eram poucas mulheres que eu conhecia e hoje são muitas. Fico muito feliz quando elas me mandam mensagens pedindo dicas de empreendedorismo”. Segundo a empresária, ela vivenciou muitas situações de preconceito por ser mulher. “As pessoas acham que você não é capaz muitas vezes pelo fato de você estar bem vestida, arrumada, falam por exemplo “ela não tem o conhecimento suficiente”. Foram várias situações, em banco, reuniões, as pessoas não davam a mesma credibilidade pra mim como davam para um homem, aí quando eu começava a conversar a pessoa olhava e falava, “nossa, mas ela sabe, tem experiência”. Assim como Driele muitas mulheres estão conquistando cada vez mais seu espaço na sociedade. Por isso o dia 8 de março é uma data de reflexão e da valorização da força feminina.

Por Isabela MARTINS