Artesão faz das ruas o seu ambiente de trabalho

Foto- - Claudio Lahos

Com as ferramentas para entalhar madeira, Samuel Miranda, de 52 anos, fez das ruas e vicinais de Rio Preto e região o seu local de trabalho. Foi a falta de condição de montar um galeria própria, que fez com que o artesão usasse os lugares públicos para apresentar a sua obra de arte à população. “Aqui em Rio Preto, eu fico ali no centro, e nas vicinais Villa Azul e Schmitt sempre no horário de 8h da manhã até as 14h”, comenta.

Ao perguntar sobre a sua história, Samuel, com seu sotaque bahiano ainda muito presente, chegou a dizer que ela era pequena e simples. Conversando com ele, logo percebi que as primeiras palavras refletiam a sua humildade. Em uma conversa curta, cheguei a uma conclusão óbvia: a história pequena e simples era muito mais do que isso. Na verdade, o artesão tem um histórico de vida não só interessante, mas também admirável.

“Esse trabalho de artesanato vem de pequeno. Na família não tem ninguém que mexe com madeira. O artesanato surgiu porque eu gostava muito de desenhar desde criança. A minha vida era com o caderninho na mão desenhando. Aí, comecei a trabalhar como carpinteiro, eu joguei o desenho para a madeira e daí não parei mais. Primeiro virou um hobby e, depois, profissão”, comenta.

Natural de Nova Viçosa, cidade bahiana, Samuel chegou a Rio Preto há 11 anos. Quem o trouxe para a cidade foi a sua arte de entalhar madeira. Em uma viagem para conhecer a família da esposa, uma arquiteta rio-pretense teve acesso a um álbum de fotos que Samuel sempre carregava para mostra as pessoas. A arquiteta viu potencial no trabalho e o convidou para abrir um negócio.

“Eu voltei para a Bahia, ela me ligou dizendo que estava tudo certo e, quando cheguei aqui, estava tudo errado. Tudo que ela falou acabou dando errado, aí para não voltar, pois tinha feito toda a mudança, eu comecei a trabalhar em uma madeireira. Eu trabalhei seis anos lá. Mas mesmo trabalhando lá, eu fazia o meu trabalho na madeira em casa e saia para vender”, lembra.

Um dom de Deus, é assim que o artesão intitulado a sua habilidade de entalhar madeira. Samuel realizou as primeiras artes em madeira ainda na infância. Na época da escola, a professora exigia dos alunos atividade criativas e pessoais. Ele escolheu a madeira para soltar sua criatividade. Apesar do primeiro contato com o entalhamento ter ocorrido ainda na infância, o artesão transformou a habilidade em atividade profissional há 20 anos.

Samuel começou o artesanato na Bahia e continuou a atividade em Rio Preto. No entanto, sua arte é conhecida em várias regiões do Brasil. Amparado por uma Associação Baiana, ele viajou para vários estados para expor e apresentar as suas peças de madeira. “A quantidade de cidades eu não lembro, mas já estive em Curitiba, Salvador, São Paulo, Vitória, Maceió, Belo Horizonte, Varginha, Itabuna, locais onde tive a oportunidade de expor o meu trabalho em lugares como o pavilhão do parque Barigui, no Instituto Mauá, no Anhembi, na feira Brasileira de Artesanato, no teatro Capitólio, no centro de Cultura Adonias Filho. Participei também do salão regional de artes plásticas antes de vim morar aqui”, relembra.

Trabalho

Samuel faz placas com mensagem e dizerem para colocar em sítios, chácaras, fazendas e até em casas. Quando perguntado quais são as peças mais vendidas, Samuel comentou que as placas de time de futebol são as campeãs de venda. “E as pessoas que eu mais vendo, independente de placa para chácara e fazendo, são os escudos de time, corintiano é a peça campeão de venda, a do coríntias vende muito”, comenta.

Ele comenta que ao longo de 20 anos até perdeu as contas do número de peças artesanais que já vendeu. Mas acredita que já deve ter passado das 2 mil peças. “O retorno financeiro até que é bom, mas a melhor época para vender é de outubro até o carnaval. Do carnaval em diante, já começa a ficar ruim. Aí dá uma caída enorme, mas como eu estou em um lugar bom do lado de uma loja que vende material agrícola e vai muito fazendeiro. Aí eu pego muita encomenda de placa para sítio, chácara, fazenda condomínio”, ressalta.

Samuel comenta que o processo de duração para fazer a peça é variável e depende muito do tipo. “Tem peça que faz rápido, tem peça que demora um pouco mais. Difícil falar o tempo de duração. Tem peça que faz um dia, outras que demora a semana inteira. Quando eu tenho mais encomenda, faço de 8 a 10 peças por mês, quando não tem eu faço menos”, destaca. Assim, entre um entalhamento e outro, Samuel ganha a vida exercendo o seu dom.

Por Leandro BRITO

 

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