Após quase três anos de sua primeira exibição, Quase Memória chega aos cinemas

Com grandes nomes não somente no elenco, mas também na direção, Quase Memória, filme baseado no best-seller homônimo escrito por Carlos Heitor Cony, chega aos cinemas nessa quinta-feira, (19). O filme que já teve sua primeira transmissão no Festival do Rio, em 2015, chega às telas de cinema trazendo Tony Ramos e Charles Fricks vivendo o mesmo personagem com idades diferentes, em um único plano.

O longa tem início quando o jovem Carlos, vivido por Charles Fricks, recebe um pacote, algo que pode ser comum na vida de um jornalista, mas que acaba trazendo a tona lembranças de seu pai Ernesto (João Miguel), morto há anos. Diante do nó que amarra o embrulho, do cheiro e da letra do envelope, o rapaz começa a reviver lembranças ao lado do pai enquanto conversa com ele mesmo do futuro, vivido por Tony Ramos.

A partir do livro de Cony, lançado em 1995 com mais 400 mil exemplares vendidos e ganhador de dois prêmios Jabuti, Ruy Guerra cria uma obra onde a principal base é o lado afetivo da memória, fato que fica claro quando a trama se preocupa em mostrar os efeitos que a memória do pai causa nos protagonistas, independente de como era a maneira de Ernesto agir em vida. Para reforçar ainda mais o peso das memórias, Guerra dá espaço para uma montagem especial ao ritmo das cenas, fazendo o passado parecer mais convidativo e o presente ser um peso. Além disso, a trama tem como narrador um grande sapo do pântano, com a voz do próprio Ruy Guerra, abrindo e fechando a história como em um conto infantil.

Além de Tony Ramos e Charles Fricks, o elenco também é formado por grandes nomes como João Miguel, Mariana Ximenes e Antonio Pedro.

A maestria de Ruy Guerra
Diretor de grandes outras obras como Os Cafajestes, Os Fuzis e Calabar: O Elogio da Traição, Guerra já ganhou prêmios no Festival de Berlim e além de dirigir, também escreve peças de teatro, é poeta e já até foi ator. Formado na principal faculdade de cinema do mundo, o Instituto de Artes e Estudos Cinematográficos, o IDHEC, na França, Ruy Guerra não é um diretor que você olha a carreira e encontra uma vasta cinematografia, mas percebe que o pouco que fez, realizou com grandiosidade. Quando falado sobre o diretor, o jornalista e crítico de cinema, Felipe Boso Brida, não pode deixar de citar um grande feito de Guerra: “Em 1964 ele fez Os Fuzis, sendo um dos diretores do movimento do Cinema Novo, que foi um movimento que reuniu vários diretores – principalmente da Bahia e da região do Rio de Janeiro – engajados politicamente, que mostravam as misérias do Brasil; e até então a gente tinha no cinema as chanchadas brasileiras que eram uma comédia comum muito ligado ao estilo de cinema americano, então eles rompem isso mostrando um filme com uma cara brasileira, mostrando realidade social, mostrando uma cara mais Brasil (…) Os Fuzis é um dos principais filmes dele e do Cinema Novo, é um filme fantástico”.

Ruy Guerra atualmente é professor no Rio de Janeiro e está voltando com Quase Memória à direção, depois de um bom tempo se dedicando a carreira de professor e teórico do cinema.(Colaboração: Larissa Senigali)

 

Da REPORTAGEM

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