Após 18 horas, Ielar suspende greve

O administrador da unidade, Luiz Oliveira, afirma aguardar retorno do Ministério Público para que o Ielar volte a receber o repasse da Prefeitura

Médicos da instituição se reuniram no final da manhã de ontem e decidiram retomar os atendimentos para evitar ainda mais transtornos à população. Cerca de 800 pessoas deixaram de ser atendidas durante a paralisação.

Cerca de 40 médicos que compõem o corpo clínico do Hospital Ielar pararam as atividades das 19h da última terça-feira, e retomaram os atendimentos ontem, às 13h.

A paralisação havia sido decidida em função do não pagamento de salários atrasados, já que a instituição aguarda até que o Ministério Público consiga uma alternativa para a volta do repasse de R$ 1 milhão por mês, feito pela Prefeitura de Rio Preto.

Segundo o administrador da unidade, Luiz Oliveira, a decisão foi tomada após uma nova assembleia. “Os médicos se reuniram com membros da administração e eles decidiram voltar mesmo sem o pagamento dos salários atrasados. Eu imagino que tenha sido uma decisão com ponderação de que existe uma saída muito em breve para esse imbróglio jurídico que estamos para poder receber o recurso da Prefeitura e ainda quero crer que tenha tido também a consciência para que essa dificuldade não fique nas costas dos pacientes.”

O encanador José Roberto de Souza foi um dos 800 pacientes que deixou de ser atendido, ontem, por conta desta greve parcial dos médicos. Ele chegou na unidade para passar pelo serviço de ortopedia, mas não conseguiu ser atendido. “Eu tenho que passar por uma perícia amanhã e, quando cheguei aqui fui informado que os médicos estavam parados. Tenho que retirar uma tala do pé direito para voltar a trabalhar, mas sem o atestado médico não sei como vou fazer para passar pelo INSS.”

Outro paciente que procurou por atendimento sem sucesso foi o marmorista Aparecido Mario de Souza. Ele fraturou a mão esquerda depois de cair em um buraco e precisava de um atestado médico para dar entrada no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). “Estive aqui na terça-feira e fui dispensado. Fui na Unidade de Atendimento do Eldorado e lá fui informado de que teria uma solução. Recebi uma ligação, ontem, pedindo para que eu fosse até o Ielar, mas chegando aqui continua tudo igual e não consigo ser avaliado pelo médico.”

Segundo a administração do hospital, a unidade deixou de atender cerca de 800 pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Entre a primeira consulta e retorno, o balanço de reagendamentos foi de 200 consultas oftalmológicas, 300 consultas ambulatoriais, 200 exames entre raio-x e ultrassom, 70 atendimentos de urgências e 30 internações e cirurgias eletivas.

O administrador da unidade garante que os atendimentos já estão normalizados.
Em nota, a Prefeitura de Rio Preto informou que o Ielar não se enquadra nas exigências da nova lei que regulamenta as parcerias entre a Administração Pública e as Organizações da Sociedade Civil (LEI Nº 13.0019/2014) que entrou em vigor neste ano. Por esse motivo a prefeitura não pode fazer o repasse de R$ 1 milhão por mês à instituição. A situação está sendo acompanhada de perto pela Secretaria de Saúde e pelo prefeito Edinho Araújo.

 

Por Jaqueline Barros 

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