Ano Novo Chinês tem comemoração discreta no interior

Entre as quatro civilizações mais antigas do mundo, juntamente com o Egito, Índia e Babilônia, está a civilização chinesa.

A riqueza de informações milenar chinesa passeia pela arte, caligrafia, culinária, dança, música, literatura, artes marciais, medicina, religião, astrologia, arquitetura e comportamento. Tudo amplamente difundido pelo mundo.

A imigração dos chineses ao Brasil começou em 1812, quando dom João VI os trouxe de Macau para cultivar chá. Após o fracasso do cultivo, a colônia chinesa desapareceu.
Depois de algum tempo, os chineses voltaram para desenvolver o cultivo do chá em São Paulo e para trabalhar na implantação da ferrovia no Rio de Janeiro, capital do país na época.

O grande fluxo da imigração chinesa se deu a partir da década de 50. Quando aconteciam as guerras na China que ocasionavam a falta de alimentos no país. Com a implantação do comunismo na China, um grande número de chineses mudou-se para Taiwan e, logo em seguida, buscou um novo país no estrangeiro. Grande número deles imigrou para o Brasil.
Desde o fim da década de 90, a quantidade de imigrantes chineses tem aumentado bastante. Eles têm, como principal área de atuação, o comércio. Lojas e pastelarias são os principais ramos de trabalho, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Em Rio Preto não é diferente. Centenas de chineses chegaram, nos últimos anos, ao interior do Estado. Apesar de serem muito fechados e falarem muito pouco a língua portuguesa, eles trouxeram cultura, costumes, comidas e idioma diferentes, os quais os grandes centros já estavam habituados e causaram um tanto de estranheza por aqui.

O Ano Novo chinês, que tem início hoje, é o mais antigo registro cronológico de uma civilização. O calendário chinês se utiliza tanto do Sol quanto da Lua e possui 354 dias. Para não perder a sincronia com o ciclo solar, a cada três anos é acrescentado um mês.
Vinicius, como é chamado pelos brasileiros, tem 26 anos e é gerente de uma loja de departamentos no calçadão. Com a ajuda de funcionários da empresa, ele conta que na verdade se chama Yian Chuang Qiu, que morou na China até os 20 anos de idade e que veio para trabalhar no Brasil. “Aqui é tudo muito diferente, tudo estranho. Para comemorar o Ano Novo na China, a gente reúne toda a família, faz muita comida e solta fogos. Mais de uma hora de barulho. Só depois a gente vai para as ruas”, explicou o gerente.

“Nós fizemos uma pequena comemoração com alguns pratos tradicionais e vários chineses que moram aqui em Rio Preto, mas nada como na China. Lá é quase um mês de festa”, acrescentou Vinicius.

De acordo com a tradição chinesa, a comemoração do ano novo é muito festiva com danças típicas, desfile do dragão e do leão, shows de música chinesa, sem deixar de falar em artes marciais, feng shui e gastronomia.

O rito de passagem de ano tem início semanas antes, quando os chineses costumam limpar seus lares para afastar os maus espíritos. Também costumam colar nas portas e janelas das casas papéis vermelhos com dizeres de bom agouro em dourado, os Tao Fu, para atrair bons fluídos e proteger quem mora ali. O vermelho e o dourado são as cores oficiais da data, responsáveis por trazer boa sorte àqueles que as usam, principalmente em roupas novas.

Quando o relógio marca meia noite, todos comem uma guioza, tradicional bolinho chinês. Os mais velhos presenteiam os mais jovens, as crianças e os solteiros com dinheiro, cuja entrega é feita dentro de um envelope vermelho, que por superstição não deve ser aberto na frente de quem presenteia. Logo depois inicia-se a queima de fogos, jogos e brincadeiras, o festejo só termina ao amanhecer do novo ano.

Tradicionalmente, no primeiro dia do ano, as pessoas dedicam-se a visitar parentes e amigos. A comemoração só termina no 15º dia do mês, quando acontece a Festa das Lanternas.

Jian Huang tem 35 anos e é gerente de uma pastelaria no calçadão. Ele conta que veio para o Brasil há nove anos e que hoje mora com a esposa e uma filha no centro de Rio Preto. “Trouxe um irmão e deixei os pais e uma irmã. Hoje minha esposa está na China. Foi lá comemorar o ano novo com a família, mas volta amanhã e vamos comemorar aqui também. Não vai ser muita festa, pois trabalhamos no dia seguinte, mas vamos comemorar”, contou.

Na comemoração de Ano Novo, Jian conta que sua família oferece comida ao Buda, faz orações aos mortos e troca presentes. “A gente espera a passagem do tigre para dar dinheiro. Ele é um sinal de boa sorte para a casa e para a família toda. Quanto mais fogos, mais dinheiro e mais enfeites vermelhos e dourados, mais sorte terá”, explicou o gerente.

O ano do cachorro
A cultura ocidental não usa muito o Horóscopo Chinês. Afinal, estamos acostumadas a seguir apenas os 12 signos do Zodíaco que são regidos pelo Sol. Porém, em outras crenças astrológicas, como as da China, a cultura traz um próprio horóscopo que é regido por outro astro, a Lua.

O ano que se inicia será do cachorro e, segundo o horóscopo chinês, é um momento para mudar o estilo de vida.

O ano do Cão de Terra, que representa fidelidade e constância, começará em 16 de fevereiro de 2018 e acabará em 05 de fevereiro de 2019.

Para os especialistas, no geral, as expectativas para o ano são boas, mas não muito boas para quem é deste signo.

Na Sapucaí
Com o enredo “O Império do Samba na Rota da China”, a escola de samba carioca Império Serrano trouxe 3500 integrantes, em 28 alas, com um pouco da cultura e história chinesa para o carnaval.

A escola que já foi nove vezes campeã da elite apresentou imagens como os dragões imperiais e não se esqueceu de símbolos clássicos como a Muralha da China.
Também tiveram personagens mais lúdicos, como o personagem Kung Fu Panda, e as doutrinas do confucionismo, do taoísmo e do budismo. Teve destaque a flor de lótus, símbolo de pureza, e a culinária deu o tom em fantasias que lembraram o macarrão e o chá.

A comissão de frente mostrou guerreiros com bambus e rostos pintados de branco, representando guardiões dos templos dourados.
Apesar dos esforços, a escola apresentou alguns problemas e acabou sendo rebaixada do grupo especial.

 

Por Bia MENEGILDO

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