Alunas da Renascer superam obstáculos da deficiência intelectual com o esporte

Foto Claudio Lahos

O jogo de tênis de mesa requer concentração, agilidade e técnica para qualquer praticante. Evellyn Pereira dos Santos sabe muito bem o que é isso, tanto é, que acumula conquistas pessoais na modalidade. Com apenas 15 anos, ela é tricampeã paulista de tênis de mesa e atual campeã brasileira. Todo esse esforço superado com certa facilidade por ela, para quem convive em condições de vulnerabilidade. Evellyn integra grupo de pessoas portadoras de deficiência intelectual e é aluna da Associação Renascer.

O esporte tem esse papel no processo de inclusão social, na reabilitação e na autoestima do deficiente. Evellyn vai defender o título brasileiro na próxima semana, nos Jogos Paralímpicos Escolares, em São Paulo. Moradora do Jardim Soraia, a rio-pretense foi uma das selecionadas para representar o estado paulista na competição nacional. Além da deficiência mental, Evellyn Pereira possui problema auditivo e conta com auxílio de aparelho auditivo para ouvir as pessoas, e principalmente, o som da bolinha de tênis na mesa. De acordo com o professor e coordenador do Projeto Esportivo “Associação Renascer Esporte é Cidadania”, Bruno Ramires Vallejo, Evellyn treina quatro vezes na semana a modalidade. A cada treino uma nova empolgação da aluna.

“Todo esse resultado dela é fruto de dedicação e empenho. Ela sempre quer buscar evoluir e tem muita técnica para isso”, destacou. O tênis de mesa, de fato, é a grande ambição de Evellyn e ela não se vê fora da modalidade. “Gosto de todos esportes, mas do tênis de mesa bastante”, disse. Perguntado se ela está preparada para ganhar mais um título, Evellyn Santos deixou bem em sua resposta. “Fui campeã paulista e sou feliz, mas quase perdi e não gosto disso. Estou preparada e quero ganhar”.

Corrida para vida

Além de Evellyn, Rio Preto tem outra atleta selecionada na disputa das Paralimpíadas Escolares. Isabela Ribeiro Alonso, 14 anos, também aluna da Associação Renascer, está classificada para três provas: corrida de 75m e 150m; além do arremesso de peso. I s a b e l a Alonso é deficiente intelectual e possui baixa visão.

Ela conseguiu v a g a , a p ó s d i s p u t a d a seletiva estadual realizada em setembro. “Estou muito feliz e ansiosa. Pego o calendário e pergunto para minha mãe para fazer as contas do dia da Paralimpíada”, diz a jovem atleta. Extrovertida, Isabela revelou até planos que pretende seguir no futuro para reportagem do DHoje Interior. “Sempre sonhei com isso, em correr e quero continuar adulta. Também quero ser professora de Educação Física e médica de pele (dermatologista). Gosto muito do esporte”, fala moradora do bairro Nato Vetorazzo.

Evento paralímpico

A edição 2018 das Paralimpíadas Escolares será realizada de 19 a 24 de novembro, em São Paulo. Serão 11 modalidades em disputa (atletismo, bocha, futebol de 7, goalball, judô, natação, tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas, futebol de 5, basquete em cadeira de rodas e vôlei sentado), e todas elas terão provas no CT Paralímpico, na Rodovia dos Imigrantes, na capital paulista. A competição reunirá mais de 1.200 jovens de 12 a 18 anos com deficiência física, visual ou intelectual matriculados em escolas do Ensino Fundamental e Médio de escolas públicas e particulares. Na oportunidade, estarão presentes alunos de 24 estados e do Distrito Federal. Os estados de Rio de Janeiro e Piauí não participarão da edição deste ano. O evento é promovido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro.

 

Entidade atende 350 alunos

A Associação Renascer é uma instituição beneficente de assistência social, sem fins lucrativos, que atende atualmente 350 crianças, jovens e adultos com deficiência intelectual e/ou deficiência intelectual com algum outro tipo de deficiência. O atendimento é realizado de segunda à sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30 às 17h30.

A instituição realiza trabalhos há 25 anos (fundada em 03/05/1993) e foi fundada por um grupo de pais de crianças com deficiências neurológicas e por profissionais que trouxeram para o município um trabalho de estimulação desenvolvido no Rio de Janeiro através de um instituto norte-americano de Filadélfia. Este trabalho visa desenvolver programações de estimulações nas áreas motora e nas áreas sensoriais (visão, audição e tato).

“A missão da renascer é promoção dos direitos humanos, enfatizando os direitos das pessoas com deficiência, reabilitando e inserindo na sociedade”, diz Bruno Vallejo. Localizada no Jardim Soraia, a associação desenvolve trabalhos de Reabilitação Clínica (psicólogos, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, psiquiatra, neurologista), Centro Educacional, Centro Dia (visa desenvolver novas habilidades ao alunos com música, artes, teatro e esportes) e Centro de Capacitação para o Mercado de Trabalho.

 

Por Vinicius MAIA

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