Adib Muanis, uma vida pela imprensa

Na manhã desta quinta-feira (24), uma das lendas do jornalismo rio-pretense, Adib Muanis faleceu aos 92 anos. Considerado um dos mais antigos radialistas de Rio Preto, Muanis vivenciou os anos dourados do rádio ao lado de grandes celebridades, hoje, aposentadas e de outras tantas que seguem exercendo a profissão. Com várias homenagens, o ex-radialista teve o corpo velado no cemitério da Ressurreição, na Vila Ercília, e seu sepultamento acontece nesta sexta-feira (25), às 10h.

Nascido em 16 de agosto de 1925, em Abre Campo, Minas Gerais, desde muito jovem Adib Muanis mostrava talento para o microfone. Após se mudar com os pais e irmãos para Onda Verde- SP, começou a trabalhar num serviço de auto-falante.

Como locutor trabalhou pela primeira vez em Nova Granada fazendo o serviço de auto-falante no cinema da cidade. Convidado pelo amigo Alexandre Macedo, para substituir o locutor Jorge Aziz, que entrava de férias, Muanis veio para Rio Preto atuar na rádio PRB-8 e acabou sendo contratado.

Assim, a carreira radiofônica de Adib Muanis começou em 1948, como locutor comercial da B-8. Depois de ganhar confiança e mais experiência, criou e lançou o programa “Sonho do Oriente”, com músicas árabes e poesias brasileiras.

O tempo passou e o radialista foi ganhando fãs, fama e respeito junto aos ouvintes, principalmente entre políticos da época. Depois do lançamento do ”Sonho do Oriente” vieram “Cortina Romântica”, “Música, Poesia e Romance”, “Clube da Cirandinha”, “Tenda do Adib”, “Salão de Conferência”, além de outros programas que marcaram na área radiofônica da cidade.

Sua primeira prova de fogo como jornalista foi a cobertura do Congresso Eucarístico realizado pela Igreja Católica em Rio Preto. Depois teve a triste missão de cobrir a tragédia do rio Turvo, onde morreram 59 estudantes rio-pretenses.

Foi no Congresso Nacional, no decorrer da cobertura jornalística, que aconteceu o desfile dos presidentes da Argentina, Chile, Uruguai, Venezuela, Paraguai, e dos representantes oficiais de outros países da América do Sul, América Central, dos Estados Unidos, inclusive da Europa. Ainda no Congresso, Adib Muanis entrevistou Armando Falcão, o próprio presidente Juscelino Kubitschek, o deputado federal Ulysses Guimarães, além de outras ilustres autoridades do Governo Federal e personalidades do mundo político nacional. Quase todas as solenidades da inauguração da “Nova Cap” foram gravadas e depois levadas ao ar pela B-8.

Em sua trajetória contata pelos olhos do jornalista Paulo Serra Martins, no livro “As ondas da B-8”, Adib Muanis disse que em termos de reportagem outro marco histórico em sua carreira foi a morte de Alberto Andaló, prefeito de Rio Preto. Durante 33 horas ele permaneceu ao lado do esquife no plenário da Câmara Municipal.

Sucesso no carnaval e últimos anos de carreira

Um dos programas de mais sucesso de Adib Muanis foi a “Tenda do Adib” inspirada no Carnaval de rua de Rio Preto. Observando a empolgação do povo em querer cantar usando os microfones da B-8, Fuad Mimessi, diretor-gerente da Rádio Rio Preto, escolheu a data, o nome do programa, determinando que Adib fosse o apresentador da nova atração da emissora.

Com o sucesso alcançado, a “Tenda do Adib” foi se estendendo para o “Variedades B-8”, com a apresentação da Orquestra do Cordeiro, famoso conjunto musical da época.
Além de trabalhar durante vários anos na B-8, Adib Muanis emprestou o seu talento às emissoras que vieram depois, entre elas as rádios Cultura, Piratininga, Brasil Novo, Difusora e Independência, onde encerrou sua brilhante carreira. Após deixar o rádio, Muanis passou a fazer imprensa e com outros profissionais da área adquiriu o jornal “Dia e Noite”.

Nos últimos anos Adib Muanis viveu ao lado de sua esposa e de seu filho Adib Muanis Júnior, que seguindo os passos do pai tornou-se um dos mais respeitáveis jornalistas de Rio Preto.

Da REPORTAGEM

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