Acusada de matar bebê após dar à luz é condenada a mais de 24 anos de prisão

Ré alegou à Justiça que foi estuprada por um tio, de quem teria engravidado, enquanto mantinha outro relacionamento amoroso (Foto: Cláudio Lahos)

A auxiliar de limpeza Andressa Beijas Molina, de 27 anos, foi condenada a 24 anos, 10 meses e 20 dias por homicídio e ocultação de cadáver,nesta terça-feira (7), no Fórum Central de Rio Preto.

A acusada foi presa no dia 3 de fevereiro de 2017, na casa em que ela morava, Parque Industrial. Segundo depoimento feito pela ré durante o julgamento, no dia do crime, ela ligou para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para pedir ajuda, pois estava com contrações e tinha entrado em trabalho de parto.

Segundo o Ministério Público, Andressa matou o filho recém-nascido e ocultou o cadáver da criança de forma premeditada. “Na verdade nós trabalhamos com a tese de homicídio qualificado por motivo torpe, isso tudo através das provas. O aborto leva um risco à mãe, então a pessoa faz uma opção de levar a gravidez até o fim porque sabe que o aborto é proibido no Brasil”, afirma o promotor de Justiça Marcos Antônio Lelis Moreira.

Ainda de acordo com o MP, a declaração da ré sobre a criança ser consequência de um estupro praticado pelo próprio tio é infundada. “Não há provas de que ela foi estuprada, isso é uma declaração dela. A ré agiu de maneira fria, premeditada e tentou apagar as provas do crime antes do socorro chegar”, disse.

Na versão dita à juíza, a acusada disse que foi estuprada pelo tio e que ocultou a gravidez porque sentia vergonha e nojo de si mesma. “Sofri um abuso do meu tio, foi dentro da minha casa. No dia ele me bateu muito, eu estava de folga no dia que fez isso comigo. Após um tempo fiz o exame e vi que estava grávida, não contei para ninguém, a minha intenção era doar a criança, mas não me lembro de muita coisa do dia, vem apenas flashes na minha cabeça do ocorrido”, declarou abalada.

A versão foi confirmada pelas irmãs da ré. O suspeito não foi ouvido porque continua foragido.

Durante a declaração da sentença, a juíza de Direito Gláucia Véspoli dos Santos Ramos de Oliveira, da 5ª Vara Criminal, manifestou-se abalada. “Ninguém se conforma com a morte de uma criança, não importa em qual circunstância. Ninguém se conforma com a interrupção de uma vida que está se iniciando. Peço a todos que consigam refletir sobre isso”, disse.

Ainda durante a audiência, a primeira filha de Andressa, hoje com sete anos, foi levada no local para ver a mãe, mesmo de longe. A cena comoveu familiares e participantes.
Para a advogada de defesa Marina Calanca Servo, a sentença não está sendo justa com os fatos que aconteceram. “Nós vamos recorrer sim, inclusive, pedindo um novo julgamento, pedindo a redução desta pena que está extremamente alta. Nós vamos apresentar recurso de apelação por infanticídio”, esclareceu.

Conforme a advogada, Andressa praticou o crime sob estado puerperal (que, no crime de infanticídio, a mãe, contrariando os impulsos da natureza, atua contra o próprio filho). “Ela agiu de forma desesperada, talvez influenciada por muitos traumas – o abandono constante da mãe, o suicídio do marido, o estupro provocado pelo tio enquanto ela vivia outro relacionamento. No dia do crime ela chamou a emergência, pediu ajuda e entregou a placenta para a enfermeira ‘Tó, isso saiu de mim!’ Com certeza ela não estava num estado emocional normal”, apontou.

Laudos dos exames feitos na ré – na época do crime, revelam que Andressa não sofreu psicose aguda, mas apontaram a necessidade de outros exames. “O exame não foi conclusivo”, afirmou a advogada.

Com a condenação, Andressa volta para a penitenciária de Tremembé.

O crime

Na manhã do dia 3 de fevereiro de 2017, Andressa deu à luz ao bebê sozinha na casa em que ela morava, no Parque Industrial, em Rio Preto. Após o nascimento, a mulher matou a criança com um golpe de faca no pescoço.

Na época, ela chamou o Samu por telefone. As equipes de Saúde chegaram até a residência de Andressa em sete minutos. Com os profissionais já no local, a mulher entregou um saco plástico com a placenta e disse que o bebê não havia nascido. Porém, desconfiados, os profissionais de saúde acionaram a polícia que chegou cerca de 40 minutos depois. Questionada pelos PMs sobre o bebê, a mulher disse que havia jogado em um ralo. Durante buscas pela casa, a polícia encontrou o bebê morto, com um corte de faca no pescoço, embaixo da cama.

Por Mariane DIAS e Karolina GRANCHI

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