Acidentes domésticos com crianças aumentam 50% nas férias escolares

O recesso escolar significa alívio para as crianças, mas é momento de preocupação para os pais e responsáveis. Dados do Ministério da Saúde mostram que, por ano, 110 mil crianças são hospitalizadas em razão de acidentes domésticos. A grande maioria dos casos evolui de forma positiva, mas algumas crianças acabam morrendo, como foi o caso da bebê de um ano, enterrada ontem (17) em Rio Preto. A suspeita é de que a menina tenha engolido uma bola de gude.

O médico vascular e chefe de Urgência e Emergência do Samu, Gustavo Marcatto, confirma que, todos os dias, duas chamadas são para atendimento a crianças que engoliram alguma coisa.

“Infelizmente, este tipo de chamada é mais comum do que se pode imaginar. Durante o período de férias o número mais do que dobra e, felizmente, a maioria dos pacientes consegue expelir o objeto”, explicou.

Estimativas mostram que a cada morte, outras quatro crianças ficam com algum tipo de sequela, trazendo consequências emocionais, sociais e financeiras para a família e também para a sociedade.

Os objetos levados à boca são os mais diferentes. Até os oito anos, clipes, pregos, alfinetes e outros materiais podem ser ingeridos acidentalmente. Para se ter ideia, no Hospital da Criança e Maternidade (HCM) os médicos recebem pelo menos doze casos desse tipo por semana. Peças de brinquedos são as campeãs, seguidas de moedas e giz de cera. Até o dia 17 de julho, 357 crianças foram atendidas na unidade após ter ingerido um corpo estranho.
Além das peças citadas acima, bijuterias, grão de feijão e amendoim também estão na lista de ocorrências registradas pelo HCM. Um descuido dos pais ao chegar da rua já é o suficiente para que as mãozinhas curiosas das crianças alcancem qualquer tipo de objeto.

Marcatto lançou um material especial onde fala sobre os cuidados que os pais devem ter para evitar esse tipo de acidente. “Estudos apontam que 90% dessas lesões poderiam ser evitadas com atitudes preventivas. Um minuto de desatenção é suficiente para que o acidente ocorra”, salientou.

O médico destacou ainda que os pais nunca devem introduzir os dedos na boca da criança para tentar retirar o objeto. “Isso pode empurrar ainda mais o objeto inalado ou ingerido. Existe uma manobra específica para isso, chamada manobra de Heimlich, fácil, rápida e que pode salvar a vida da criança. Nela o adulto usa as mãos para exercer uma forte pressão no diafragma da criança, popularmente conhecida como boca do estômago. De joelho, atrás da criança, o adulto abraça a vítima fazendo movimentos puxando para trás e para cima, repetidamente. Essa manobra ajuda a criança a expelir o objeto. Já nos bebês é preciso deitá-los no antebraço e dar tapinhas nas costas, em sequência. O mais importante é que o socorro seja acionado assim que todo este atendimento em casa seja iniciado”, observou.

Caso não perceba na hora que o filho engoliu alguma coisa, alguns sintomas como salivação excessiva, falta de apetite, vômitos e dores para deglutir vão sinalizar aos pais que algo não está bem. Diante disso, a ajuda deve ser procurada o quanto antes.

O melhor para evitar acidentes com as crianças é a prevenção. Em caso de acidentes acione imediatamente o 192 (Samu), 190 (Polícia Militar), 193 (Corpo de Bombeiros) ou 0800 722 6001 (Centro de Intoxicação).

Por Jaqueline BARROS

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