Acidentes de trabalho fazem 20 vítimas por dia em Rio Preto

Diariamente, 20 rio-pretenses, em média, sofrem acidentes de trabalho. São mais de 600 casos por mês. As informações são do Cerest (Centro de Referência Especializado em Saúde do Trabalhador).

Entre as causas estão maquinários desprotegidos, falta de equipamentos de segurança e falta de treinamento para executar as funções.

As estatísticas revelam que, de janeiro a setembro de 2018, foram registrados 5.831 acidentes, sendo 3.941 mil homens e 1.890 mulheres. No mesmo período do ano de 2017, o índice era um pouco menor com 5.775mil vítimas. A faixa etária com maior número de vítimas é de 18 a 35 anos.

Segundo o Cerest, no ano passado, 14 trabalhadores que sofreram acidentes, não resistiram aos ferimentos e morreram dias após o ocorrido. Deste total, 13 eram homens e uma mulher. Para a coordenadora do órgão em Rio Preto, Ana Beatriz Menezes Alvarenga Leovergilio, são várias situações que levam aos acidentes de trabalho. “Maquinários muito  ultrapassados, falta de organização para realização do trabalho, falta de treinamento para executar as funções, falta de capacitação para o uso dos EPIs, falta de equipamento de proteção coletiva. Em Rio Preto, vem se mantendo uma média de acidentes de trabalhos por mês, isso há cinco anos. Deste total 10% são considerados graves”.

Dados do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho do Ministério Público do Trabalho (MPT) apontam que gastos da Previdência com benefícios acidentários de 2012 a 2017 em todo Brasil, R$66.534.254.002 que resulta em R$1,00 gasto a cada 2 milésimos de segundos. Dias perdidos com afastamentos iniciados desde 2012 até hoje 305.299.902 dias.

Por lei, as empresas são obrigadas a garantir a segurança de seus funcionários. É dever do trabalhador informar a ausência de equipamentos adequados e situações perigosas. “Todo o trabalhador que se acidente tem que ser notificado. Independente do vínculo empregatício, se é registrado ou não, trabalhador formal ou informal, urbano ou rural”, explica Leovergilio.

A coordenadora do Cerest afirma que houve uma queda nos registro de pessoas que adoecem com as atividades desenvolvidas no ambiente de trabalho. “Caiu bastante o número de notificação das doenças relacionadas ao trabalho, acontece um grande problema que são as sub notificações, muitas vezes as pessoas adoecem no trabalho em decorrência de alguma atividade, mas isso não é notificado”.

O último caso registrado em Rio Preto, com vítima fatal, após acidente de trabalho foi no dia 11 de março. O auxiliar de manutenção S.I.S.S., de 36 anos, morreu após ficar 11 dias internado no Hospital de Base. O paciente deu entrada no HB após sofrer um acidente de trabalho, a vítima foi eletrocutada e caiu de uma altura de, aproximadamente, cinco metros, sendo socorrido com traumatismo craniano.

“No momento do acidente ele estava fazendo a instalação de rede de fibra ótica. Ele era experiente na área, trabalhava com isso há 15 anos, mas na minha empresa estava há um mês. Estava tudo correto com equipamentos, lamentamos muito o que aconteceu”, disse o proprietário da empresa George Longhi.

O auxiliar de manutenção foi sepultado no Cemitério Municipal de Guapiaçu.

Por: Mariane DIAS

 

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