Achar um celular perdido e não devolver é crime

FOTO GUILHERME BATISTA

O desenvolvedor de sistemas Leonardo Felipe, de 24 anos, já teve três celulares furtados. Prejuízo que avalia em pelo menos R$ 2 mil, mas não consegue mensurar a dor de cabeça que teve em todas as situações. Muito mais do que a questão financeira, ele teve que ir até a delegacia para registrar boletins de ocorrências e solicitar o bloqueio do aparelho e do número, ficou sem os contatos dos amigos e familiares que
tinha salvado na agenda, perdeu fotos antigas de momentos importantes da vida dele e ainda teve de solicitar a transferência do número do chip.

“Em todos os três casos foi muita dor de cabeça e perda de tempo. Acabei não conse-
guindo recuperar os aparelhos, apesar de ter insistido em enviar mensagens e ligar constantemente, mas, mesmo comprando aparelhos novos, tive que adicionar contato por contato, solicitar a troca do número para o chip, enfim, dor de cabeça e prejuízo financeiro”, comentou Leonardo.

Dhoje Interior

Sabe aquele famoso dito popular que ‘achado não é roubado, quem perdeu é relaxado’? Não é bem por aí, se tratando desse assunto. Isso porque, o que nem todo mundo sabe, não devolver um celular encontrado, seja na rua, em uma mesa da
praça de alimentação de um shopping ou em qualquer local, é crime, podendo até ser preso por este motivo.

De acordo com o delegado Eder Galavoti, quem encontra um celular tem até 15 dias para tentar localizar o dono e devolver o aparelho, ou entregá-lo a polícia. “Se não o fizer, responde por crime de apropriação de coisa achada. A pena vai de um mês
a um ano. É considerado um crime de pequeno potencial ofensivo, mas cada caso é um caso. Se você localiza um celular, você tem esse prazo de 15 dias pra devolver ou tentar localizar o dono. Se o parelho não estiver travado, dá para identificar o dono ou parentes próximos por meio da agenda de contatos ou das conversas por meio dos aplicativos”, ex-plicou Galavoti.

Foi o que aconteceu com o motoboy Ludney Santos, de 23 anos. Ele e a namorada seguiam de moto pela rua quando encontraram o celular no chão.

Mesmo sem funcionar e com vários ralados aparentando terem sido provocados por queda, o jovem colocou o chip no próprio celular e aguardou.

“No outro dia o filho do se nhor que tinha perdido o aparelho ligou, marcamos um horário e local e eu devolvi aparelho e chip”, contou Souza. A pedagoga Luana Peres também conseguiu localizar o celular que o pai havia perdido.

Ela tem o costume de ligar todos os dias ao fim da tarde. Em uma dessas ligações ela descobriu que o pai havia perdido o celular, mas ainda não tinha sentido falta. “Eu estranhei quando uma mulher atendeu a ligação, mas, logo em seguida, explicou que
havia achado o celular em frente a um supermercado e estava espertando alguém ligar para marcar a devolução”, conta a pedagoga.

Já a estudante Vitória Garcia achou um aparelho no banco de uma clínica odontológica, ao perceber que não havia ninguém ao seu redor resolveu entregar o celular para a recepcionista. “O celular estava novinho e sem nenhuma foto, não vou mentir que fiquei tentada a pegar, mas me coloquei no lugar de quem havia perdido e resolvi
devolver”, contou a estudante.

“O conselho é que se você localizar um celular e não conseguir identificar um proprietá-
rio, se o celular estiver travado, por exemplo, você deve procurar uma delegacia que esse celular será apreendido e, caso a vítima for elaborar uma ocorrência, através do número do IMEI, que está no chassi do celular, é possível identificar o dono. O conselho é esse. Imediatamente ao encontrar um celular, tente desbloquear e encontrar o dono, ou vá até a polícia”, disse o delegado. Colaboração: Thais LOBATO

 

Por Thais COVRE