SAÚDE CARDIO: A saúde do coração na terceira idade

O coração humano pode apresentar alterações de estrutura, forma e função após a sexta década de vida. Os fatores genéticos ou o histórico familiar podem, num primeiro momento, justificar esta evolução estrutural. No entanto, os fatores comportamentais e hábitos de vida são também determinantes neste processo.

Dentre os hábitos de vida mais importantes, podemos citar o tabagismo, a obesidade e o uso inadvertido de hormônios.

Do ponto de vista da estrutura, no músculo cardíaco – o miocárdio – são observadas mudanças segmentares, ou seja, algumas porções deste músculo começam a perder sua capacidade plena de contratilidade. Isto implica na ocorrência mais acentuada de áreas de isquemia miocárdica, ou baixo fluxo sanguíneo miocárdico, culminando com uma força cardíaca global preservada, mas já com graus variáveis de déficit.

As valvas cardíacas por sua vez – mitral, aórtica, pulmonar e tricúspide – apresentam modificações estruturais relevantes como calcificação, enrijecimento e perda da força elástica. Estas ocorrências estruturais das valvas cardíacas são predisponentes para maior refluxo e sobrecarga progressiva do coração. Em decorrência deste refluxo de valvas, o coração começa a crescer e perder sua forma original.

Do ponto de vista da forma, o coração humano tem um formato elíptico em condições normais. Após os 60 anos, em decorrência da maior ocorrência de áreas de isquemia e do refluxo das valvas cardíacas, o coração pode apresentar uma configuração mais circunferencial, tornando-se mais ovalado, arredondado.

Nesta fase, usualmente a capacidade de contração do coração também diminui, uma vez que as fibras miocárdicas trabalham de forma efetiva quando o coração ainda possui sua configuração elíptica original.
Do ponto de vista da função cardíaca, são observadas alterações marcantes após os 60 anos, sobretudo como resultado de hábitos de vida não saudáveis.

No coração humano, existem as artérias coronárias, responsáveis pela irrigação e nutrição do músculo cardíaco. Para que haja irrigação adequada do músculo cardíaco, estas artérias executam movimentos de abertura e fechamento, de acordo com os batimentos do coração. Após os 60 anos, em pessoas tabagistas e que consomem gorduras e açúcares em quantidade exagerada, as artérias coronárias não conseguem desempenhar este citado papel de forma efetiva, prejudicando a nutrição do músculo cardíaco.
De forma análoga, as valvas cardíacas, responsáveis pelo controle do fluxo sanguíneo que chega e que sai do coração, perdem sua elasticidade natural nos indivíduos com hábitos de vida deletérios à saúde.

Este descontrole do fluxo sanguíneo culmina com falência progressiva do músculo cardíaco, a tão propalada insuficiência cardíaca. O uso inadvertido de hormônios, tanto por parte de homens e mulheres, hábito que muitas vezes se inicia na juventude, pode ser determinante em provocar alterações funcionais nas artérias coronárias e valvas cardíacas.

Assim, as pessoas que atingem a sexta década de vida necessitam de um acompanhamento cardiológico periódico e rigoroso, devem se privar de hábitos de vida como tabagismo e alimentação gordurosa e deveriam conhecer algumas particularidades que o coração e suas estruturas apresentam, do ponto de vista da estrutura, forma e função.

*Edmo Atique Gabriel – Cardiologista com especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago
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