A moda agora é o cigarro de palha

Foto Claudio LAHOS

O cigarro tradicional ainda é muito procurado, mas a moda do momento é o cigarro de palha. De acordo com proprietários de tabacarias, a procura pelo palheiro, como muitas gostam de chamá-lo, teve um aumento significativo nos últimos anos, em Rio Preto. Do ano passado para cá, a venda surpreendeu algumas lojas especializadas, devido ao aumento. No entanto, essa não é uma tendência exclusiva da cidade rio-pretense.

Um levantamento realizado pelo Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) mostra que o consumo de cigarro de palha aumentou 30% no Brasil, passando de cerca de 1 milhão de pessoas em 2017 para 1,3 milhão em 2018. Minas Gerais, São Paulo e Goiás são os Estados onde a população mais consumo o palheiro, juntos somam 75% do consumo.

Segundo um dos proprietários de tabacaria de Rio Preto, as pessoas que mais procuram o cigarro de palha na cidade estão entre a faixa etária que vai de 19 a 30 anos. A popularidade do palheiro se deve ao fato dos fumantes acharem que o cigarro de palha é menos prejudicial à saúde. “O palheiro tem caído no gosto do pessoal, pois ele tem menos substâncias danosas à saúde. Alguns preferem ele também, pois apaga mais rápido, isso faz com que a pessoa consuma menos o cigarro, por conta da preguiça de reacender” diz.
Maria Carolina Gazoni, de 24 anos, já fuma há seis anos. A vendedora comenta que há três anos fez a transição do cigarro tradicional para o de palha. Ela realizou a mudança depois do nascimento do filho e hoje só fuma o cigarro de palha. Comenta que, a princípio, acreditava que o palheiro era mais fraco. “Pelo fato de ter menos nicotina, eu achava que fosse mais fraco e menos prejudicial, mas hoje eu sei que ele pode ser tão prejudicial como o tradicional”, comenta.

De acordo com Fabiano Ferrari, pneumologista, Gazoni está certa quanto aos prejuízos do cigarro de palha. O especialista alerta que o cigarro de palha é tão prejudicial quanto o de papel. “Não existe diferença quanto à saúde. São prejudiciais da mesma forma, mesmo em menor quantidade. O cigarro industrializado, o de papel, tem por volta de 4,9 mil substâncias prejudiciais à saúde. O de palha tem menos, mas traz uma carga maior de alcatrão, que é muito cancerígeno”, destaca.

Algumas pessoas acabam pensando que o cigarro de palha é mais natural e, por isso, menos danoso. Ferrari ressalta que esse pensamento é um equívoco. “Não é porque é natural, ou artesanal, que o ato de fumar seja inerte ao pulmão. Tem suas consequências tal como o produto industrializado”, comenta. O pneumologista ainda alerta para a dependência química, resultado do hábito de fumar. “Cigarro de palha, o de papel, cachimbos ou outras formas como o uso do Narguilé, também muito difundido na população jovem, causam os mesmos vícios tanto psicológicos como dependência química às substâncias neles encontradas” diz.

 

Por Leandro BRITO

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