A força de vontade do trabalhador

Para Jaqueline Parra, a deficiência jamais será um limitador na vida profissional

Apesar dos altos índices de desemprego que o país registra nos últimos anos e diante de tantas dificuldades, há trabalhadores que apesar de todos os obstáculos do cotidiano, não se abalam e vão à luta, com motivos para inclusive comemorar neste 1º de maio: trabalho com carteira assinada.

O quadro de funcionários PCD (Pessoas com Deficiência), como é nomeado, é uma realidade no serviço público e em grandes empresas, nas quais a deficiência, seja ela física ou intelectual, é um mero detalhe, pois na hora da contratação, o perfil profissional é o que é mais levado em conta pelos recrutadores.

Em Rio Preto, a Secretaria dos Direitos e Políticas para Mulheres, Pessoa com Deficiência, Raça e Etnia, desenvolve em parceria com a Secretaria do Trabalho e Emprego o programa Emprego Apoiado, que desde 2012 já fez a colocação de mais de 350 pessoas em empresas pela cidade. Em 2017 foram empregadas 67 pessoas pelo programa e somente neste ano já foram 24. “A colocação dos PcDs no mercado de trabalho contribui para sua Inclusão Social e, desta forma, eles passam a ter autonomia e emancipação, podendo formar e sustentar suas famílias”, afirmou a secretária da pasta, Maureen Cury.

O programa atua no recrutamento, orientação e triagem destes candidatos para facilitar para as empresas cadastradas e, principalmente, para os candidatos, que também são cadastrados no serviço. “A Lei de Cotas é também responsável pela redução do índice de desemprego da PcD e é fiscalizada pelo Ministério do Trabalho, que aplica multas nas Empresas que não cumprem a cota no seu quadro de funcionários”, destacou Cury.

Aos 18 anos, a engenheira civil Jaqueline Parra, de 27 anos, perdeu parte da perna esquerda depois de um acidente de trânsito e hoje se locomove com o auxílio de muletas. Para ela o incidente nunca foi um limitador na vida. “Depois do acidente eu comecei a fazer faculdade de engenharia e em agosto já termino a pós. A formação profissional é muito importante, a gente batalhou e estudou para isso”, comentou Parra.

Ela integra o quadro de funcionários da Construtora Pacaembu, que atua no Estado e conta com 16 colaboradores PcD. Após a conclusão da graduação, a engenheira foi efetivada e hoje atua como assistente técnica. “A Jaqueline é uma case de sucesso da empresa e foi uma das primeiras que integrou nosso programa Incluir. Sempre nós buscamos pessoas especiais para compor nosso time”, disse Jacqueline Fernandes, gerente de desenvolvimento organizacional da Pacaembu.

Já Otávio Pelegrini de Castro, de 23 anos, nasceu com uma má formação congênita e necessita de uma cadeira de rodas para se locomover. Ele é formado em administração de empresas, possui pós-graduação, e trabalha no setor administrativo da Unimed, que tem no quadro 27 funcionários PcD. Para ele a deficiência não age como limitador e serve para quebrar barreiras. “Acho que se limitar é a pior coisa que a gente pode fazer. Independente do problema que cada um tenha, a gente tem que correr atrás”, finalizou.

 

Desemprego

No país o índice de desemprego atingiu 13,% no trimestre encerrado em março deste ano. Este foi o maior nível desde maio do ano passado. Atualmente 13,7 milhões de brasileiros estão desempregados.

O número de trabalhadores com carteira assinada também apresentou queda em comparação com o trimestre anterior, representando uma redução de 408 mil pessoas. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), hoje são 32,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada, o menor número de toda a série da pesquisa, iniciada em 2012. A máxima foi registrada em junho de 2014, quando havia 36,8 milhões de empregos formais.

Por Priscila CARVALHO

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIOS