8M: Números da violência contra a mulher são assustadores e dia é de luta

"Denunciar é fundamental. O agressor precisa ser responsabilizado. Só assim poderemos mudar a cultura machista que impera em nossa sociedade" - Diz Dálice Ceron, delegada da Delegacia de Defesa da Mulher

Rio Preto registrou 724 casos de lesão corporal, em 2017, na Delegacia de Defesa da Mulher. Dados não refletem totalmente a realidade. Mulheres ainda tem medo de registrar a violência..

A data de oito de março é um marco de visibilidade para a luta por igualdade de direitos das mulheres em todo o mundo. Neste momento, os números da violência de gênero no país roubam a cena das flores e chocolates para as homenagens.

Em Rio Preto, a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) registrou 764 ocorrências de violência física no ano passado. Em janeiro deste ano, o número já chegou em 63. Foram 990 casos de ameaças, 40 de agressões sem lesões e três de estupros. Além de cinco ameaças e um homicídio consumado, em 2017.

Lembrando que o número reflete apenas parte da violência na cidade, já que muitas denúncias não são registradas. “Estupro, por exemplo, é muito difícil de a vítima realizar o boletim de ocorrência. Só quando envolve menor de idade ou vulnerável é que há mais registros”, afirma a delegada da DDM, Dálice Ceron.

Ceron comenta ainda que os dados demonstram o tamanho do machismo em nossa sociedade. “É importante denunciar. O homem tem muito espaço em diversos setores, é fundamental que ele encontre obstáculos em situações de violência. Assim como responsabilizar estes agressores. Só assim mudamos a cultura”, complementa.

Sair do ciclo de violência doméstica é a maior dificuldade da mulher que passa por essa situação. Maria (nome fictício), 33, casou-se aos 21 anos e sempre sofreu abusos psicológicos e físicos por parte do marido. “Passei 12 anos da minha vida nesta situação e me achei culpada por todas as vezes que apanhei ou que ele gritou comigo”, conta.

Casos como o de Maria são extremamente comuns. Para auxiliar a interromper essa cadeia, a Secretária Municipal dos Direitos e Políticas para Mulheres, Pessoa com Deficiência, Raça e Etnia de São José do Rio Preto realiza atendimentos multidisciplinares com assistente social, psicólogas e advogadas.

“Entre as diversas ações realizadas, temos a Casa Abrigo. O serviço é direcionado para mulheres que estão com a sua segurança ameaçada”, explica a secretária, Maureen Leão Cury.

A Casa tem endereço sigiloso e toda a estrutura de abrigo. Em 2017, atendeu 29 mulheres e 42 crianças. Atualmente, três mulheres e quatro crianças estão abrigadas. O tempo de permanência é analisado caso a caso, a média é de 120 dias, segundo dados da Secretaria. “É fundamental esse trabalho de enfrentamento da violência contra a mulher”, conclui Cury.

O Brasil ocupa hoje o sétimo lugar no ranking de feminicídios. Doze mulheres são mortas todos os dias no país. Para realizar denúncias, disque 180.

 

Por Marina LACERDA

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