Conexão Capivara: Fator Aloysio

Teve início a revoada. Depois de meses de discussões internas e públicas, os tucanos finalmente começaram a puxar o carro e abandonar o governo Michel Temer (PMDB). O primeiro a sair foi o agora ex-ministro das Cidades Bruno Araújo, que pediu demissão. Os tucanos ainda possuem três ministérios em Brasília: Relações Exteriores (Aloysio Nunes), Secretaria de Governo (Antonio Imbassahy) e Direitos Humanos (Luislinda Valois).

Depois das traições do PSDB na votação da denúncia contra Temer, quando a maioria da bancada votou pelo prosseguimento do processo na Câmara dos Deputados, partidos da base – especialmente PMDB e PP – iniciaram a pressão para que o presidente exonerasse os tucanos e desse espaço aos aliados fiéis. Temer já estaria decidido a expulsar o PSDB, sem qualquer remorso, do governo. Araújo apenas se antecipou à demissão certa.

Dos três tucanos que permanecem, porém, um deles tem chances reais de permanecer: o senador rio-pretense Aloysio Nunes. Não como tucano, mas cota pessoal do presidente. Por dois motivos. Primeiro, Aloysio foi um dos mais ferozes defensores da manutenção do PSDB no governo. Mais que isso, defendeu a imagem do presidente por várias vezes e não titubeou ao apontar como “ineptas” as denúncias apresentadas contra Temer pelo ex-procurador Rodrigo Janot. Mais até que o senador Aécio Neves, o rio-pretense foi a principal voz dentro do tucanato a bancar Temer. Outro ponto que garantiria sua manutenção é o trabalho desenvolvido no ministério. “Fui contra permanecer no governo Temer, mas seria ruim para o País o Aloysio sair agora. Tem feito um trabalho e tanto como chanceler e acho que deve permanecer”, afirma o deputado estadual Vaz de Lima (PSDB).

Aloysio só sai se Temer aproveitar a minirreforma provocada pelo PSDB e fizer um trabalho mais amplo, mantendo apenas ministros que não vão concorrer nas eleições de 2018. Anteciparia o processo natural, já que essa desincompatibilização deverá ser feita no máximo em abril do ano que vem. E Aloysio deve tentar a reeleição para o Senado.
A questão não é nem saber “se” e “quando” o PSDB vai deixar o governo, mas se sairá antes de ser escorraçado. E, dentre essas duas opções, qual seria melhor para o partido – politicamente e eleitoralmente falando.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta quarta-feira (15)

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