30% dos cânceres poderiam ser evitados com hábitos de vida saudáveis, diz oncologista

Oncologista do Hospital de Base e pesquisador da área, Gustavo Girotto

Neste domingo(04), no Dia Mundial do Câncer, as estimativas para o biênio 2018/2019, feitas pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) e o Ministério da Saúde (MS) apontam que a doença possa registrar 582.590 novos casos, acometendo 282.450 mulheres e 300.140 homens pelo país. O estudo abrange os anos 2018 e 2019, sendo que as estimativas para o ano que vem sejam as mesmas de 2018. O tipo da doença mais incidente em ambos os sexos para cada ano do biênio será o de pele não melanoma, que é um tipo de tumor menos letal, com 165.580 casos novos.

Segundo o oncologista do Hospital de Base e pesquisador da área, Gustavo Girotto, mudanças epidemiológicas no perfil da doença estão acontecendo atualmente no Brasil. “O aumento de câncer de próstata e mama na prevalência, quer dizer no número de casos novos, é uma mudança epidemiológica importante. Esse é o comportamento dos países desenvolvidos”, disse. O oncologista explica que a boa alimentação, aliada a hábitos de vida saudáveis, como a prática de exercícios, colaboram para a queda de incidência da doença. “A estimativa mostra que de cada 10 cânceres, três ocorrem por fatores de risco absolutamente evitáveis, que é sedentarismo, obesidade, excesso de álcool, tabaco e exposição em excesso ao sol.

Então se você evitar essas cinco coisas, três de cada dez cânceres deixariam de existir”, afirmou. O tabu com relação ao câncer ainda é fato que ocorre com frequência atualmente, devido à desinformação da população. O médico ressalta que estudos e avanços tecnológicos desempenham importante papel no processo do tratamento da doença. “A tecnologia é fundamental, pois sem ela não tem diagnóstico precoce. Pra ter diagnóstico precoce a gente não pode localizar por exames físicos, quer dizer com a palma das mãos. O ideal é que se descubra antes que as suas mãos descubram, então isso só a tecnologia te dá”, ressaltou.

Diferentemente do que se tinha no passado, basicamente com cirurgia, quimio e radioterapia, há duas áreas do conhecimento da oncologia que hoje estão mudando completamente o tratamento de todos os cânceres no mundo. “A terapia alvo, que é aquela quando se identifica a mutação num gene específico e neutraliza esse gene e mata o câncer. A outra área de desenvolvimento gigante, que inclusive temos várias áreas de pesquisa aqui em Rio Preto, é a imunoterapia, que dá condição para o sistema imunológico combater de maneira eficaz e segura os cânceres em geral”, concluiu.

 

Por Priscila Carvalho

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIOS