11,5 milhões de pessoas sofrem com depressão no Brasil

Além da caminhada, a música foi uma das atividades que mais ajudou Josevana nos momentos mais difíceis da depressão. (Foto Guilherme Batista )

Desmotivação, indisposição, diminuição de contato social, queda na produtividade, falta de libido e choro frequente são sinais de alerta. Esses sintomas podem estar diretamente relacionados a uma doença muito frequente no Brasil, a depressão. Para se ter uma noção, estudos da OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil ocupa a quinta posição entre os países mais depressivos no mundo. Segundo dados da organização afetam 5,8% da população, o que representa um total de 11,5 milhões de brasileiros. No âmbito global, o número de casos cresceu mais de 18% em dez anos. Com esse avanço rápido, a organização prevê que até 2020 a depressão se torne a doença mais incapacitante do mundo.

Nesta quarta-feira, 10 de outubro, é comemorado o Dia Internacional da Saúde Mental. Instituída em 1992 pela Federação Mundial de Saúde Mental (World Federation for Mental Health), a data pretende chamar a atenção pública para a questão da saúde mental e atentar para o preconceito em relação à depressão. Segunda a psicóloga Ana Paula de Biasi, é importante falar sobre o assunto para tentar combater os preconceitos que ainda existem.

“A falta de informação nos leva a ter muitos preconceitos, acredito que se o assunto for mais divulgado, ter ações mais efetivas nas escolas e em empresas, com palestras e panfletos sobre o que é depressão e seus tipos de tratamento, possamos esclarecer e ajudar as pessoas a terem mais conhecimento sobre o assunto. Explicar para as pessoas que a saúde mental é tão importante quanto à saúde física, que é importante ter atenção a isso, que procurar psicólogo não é sinônimo de estar louco, como infelizmente muitas pessoas pensam por falta de conhecimento e por muitas vezes não ter acesso a esse serviço.”, comenta a psicóloga.

De acordo com a psicóloga, existem muitos motivos que podem levar as pessoas a entrarem em depressão. Ela, muitas vezes, é originada devido ao desemprego, problemas financeiros, rotina estressante, não conseguir lidar com frustrações por cobranças do dia a dia ou a perda de um ente querido, tudo isso pode sim levar a um quadro depressivo. E para resolver o problema tem tratamentos específicos. “Psicoterapia junto com acompanhamento psiquiátrico, praticar exercícios físicos, optar por alimentação mais saudável e buscar por atividades prazerosas que sejam do gosto da pessoa, para que possa complementar o tratamento”, diz.

Josevana Aparecida de Moraes tem 28 anos e já superou duas depressões, uma em 2010 e outra há pouco tempo. Nesta última, ela ficou oito meses com os sintomas da doença. Segundo ela, a mudança de humor e falta de motivação foram os principais sintomas da depressão. “Eu parei de comer, chorava muito, deixei de fazer as coisas que eu gostava, como andar de bicicleta e jogar futebol, mas o que eu mais estranhei foi o meu nervosismo e agressividade. Brigava direto com o meu pai e até com os cachorros”, relata.

Josevana comenta que não é a primeira da família a sofre com a depressão. A mãe também teve e doença, mas infelizmente acabou sendo vencida pela doença, pois ela cometeu o suicídio. Apesar de tudo, ela comenta que a música e a caminhada foram fatores que ajudaram nos momentos difíceis da depressão. “Um dia eu estava aqui em casa, estava ouvindo até a música do Alexandre Pires, aí do nada a minha cabeça começou a melhor. Além disso, para ajudar, eu procurei um psicólogo e comecei a tomar remédio também. O remédio é mais para controlar o meu emocional”, finaliza. Conteúdo especial: Leandro BRITO

 

Da REPORTAGEM

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